Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista

06.10.2026

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Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 09.06.2026 20:39 comentários
Brasil

Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista

Estela Aranha pediu vista do processo sobre levantamento da AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o Master

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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 09.06.2026 20:39 comentários 1
Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Kassio Nunes Marques votou para manter a suspensão a divulgação da pesquisa AtlasIntel que mostrou a queda de intenções de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação das mensagens que expuseram o patrocínio do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

O julgamento, no entanto, foi interrompido após a ministra Estela Aranha pedir vista do processo.

Durante a sessão, o ministro Dias Toffoli afirmou ser contrário à intervenção da Justiça Eleitoral no caso e afirmou que, em sua avaliação, a discussão não deveria sequer estar sendo analisada pelo tribunal.

“Para mim, não deveríamos passar por esse julgamento. Por mim, as pessoas deveriam ser livres para escolher em qual instituto confiar. (…) As pesquisas não são para formar opinião”, disse.

Toffoli defendeu que a Corte analise os casos futuros uma vez que os efeitos dessa pesquisa, segundo ele, “já passaram”.

“Nós temos que analisar ser possível uma pesquisa que mostre um áudio para depois a pessoa responder uma pergunta. Eu entendo que é fundamental se é possível. Depois eu faço um áudio, coloco num jornal, e coloco na pesquisa. (…)

Nós temos que ser peremptórios nessa decisão. Pode fazer vídeo? Eu sei o que vai acontecer… Vai ter vídeo para tudo que é lado. ‘Diante desse vídeo, você votaria A, B ou C?’ Não vamos ser ingênuos. Isso é uma questão da maior seriedade. É muito sério. Desculpe a veemência. Pode ou não pode vídeo? Se pode, pode vídeo de todo tipo.”

PL defende suspensão

Durante sustentação oral, a advogada do Partido Liberal (PL), Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que a discussão sobre a legalidade das pesquisas eleitorais não tem “coloração partidária”.

Segundo a defesa do PL, o TSE falhou ao permitir que o levantamento circulasse “por vinte dias”.

“Fica o agradecimento ao senhor por estar devolvendo o espaço de debate ainda que por cinco minutos. (…) Controlar pesquisa não é novidade, não há nada de novo. Compete à Justiça Eleitoral analisar a transparência, a confiabilidade, porque elas influenciam o eleitor. Porque é interesse de todos os candidatos, da cidadania… Pesquisas limpas.”

“O entrevistado sobre e desce a pesquisa. É diferente de uma pesquisa por telefone. O entrevistado sobe e desce, pode controlar a pesquisa. Ela incluiu um vídeo aos entrevistados e essa mídia não foi transcrita. Não sei qual vídeo foi submetido até porque ele não foi degravado.”

Maria Claudia reforçou que o pedido apresentado pelo partido “não tem lado” e citou declarações polêmicas do presidente Lula (PT) para sustentar que o enquadramento das perguntas — o chamado framing — pode influenciar significativamente os resultados de uma pesquisa.

AtlasIntel rebate

Já o advogado Gualter Maciel, da AtlasIntel, contestou os argumentos da defesa do PL sobre a metodologia do levantamento.

Segundo ele, o modelo de pesquisa pela internet já está consolidado no processo eleitoral brasileiro.

“E esse não é exatamente o objeto da presente representação. Acredito que, nas eleições de 2026, esse tema da realização de pesquisas pela internet já esteja superado, inclusive. Mas a pesquisa registrada sob o número PR-06939/2026 trouxe um elemento que desafiou a Justiça Eleitoral a decidir sobre a metodologia, não no que se refere à pesquisa ser realizada pela internet, por telefone ou presencialmente, mas, inclusive, sobre os limites de controle dos institutos de pesquisa quanto à ordem em que as perguntas devem ser dirigidas ao entrevistado.“

A defesa argumentou que as perguntas são relacionadas a um tema de grande repercussão pública: a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A representação não aponta uma violação objetiva à legislação eleitoral nem à resolução do TSE que trata das pesquisas eleitorais. Na verdade, o que se tem na representação é uma discordância metodológica em relação a um fato político público e notório, qual seja, a relação de Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, partido representante, com Daniel Vorcaro e com a questão do Banco Master.

Maciel apontou que a advogada do PL não apresentou provas técnicas capazes de demonstrar que a pesquisa teria induzido respostas dos entrevistados por meio de mecanismos como priming, framing, ancoragem ou contaminação cognitiva.

O advogado também relembrou uma pesquisa feita pelo instituto na qual mensurava a opinião dos brasileiros sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro.

A liminar de Nunes Marques

Na liminar, o ministro Nunes Marques considerou que há suspeitas de indução ao eleitor, por causa da exibição do áudio de uma mensagem enviada por Flávio a Vorcaro.

O CEO do instituto, Andrei Roman, já esclareceu, contudo, que a mensagem só foi mostrada depois de a pesquisa ter sido respondida, sem possibilidade de mudança das respostas.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, diz Nunes Marques em sua decisão, despachada por provocação do PL.

Metodologia

Nunes Marques argumentou em sua decisão que o instituto induziu o eleitor a dar respostas desfavoráveis a um dos candidatos.

Segundo ele, outras 27 pesquisas feitas pelo instituto não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada, e nem veicularam áudio para consulta.

O ministro destaca ainda que o “CEO da AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda., em entrevista veiculada na CNN Brasil em 19 de maio de 2026, reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação”.

“Na ocasião, afirmou que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro seria ‘muito problemático para a imagem’ do pré-candidato e revelaria ‘fatos extremamente graves’, capazes de comprometer ‘a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida’, defendendo, ainda, a formulação das perguntas que associavam grupos políticos ao denominado ‘esquema de fraudes
financeiras do Banco Master’”
, segue Nunes na decisão.

Censura?

A determinação de remoção da pesquisa foi classificada por opositores de Flávio como “censura”.

Enquanto o PT classificou a medida como ‘censura’ e passou a observar com desconfiança o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, o campo bolsonarista aprovou a decisão sem alarde — evitando reacender o episódio que motivou a pesquisa.

Para o PT, a suspensão do levantamento representa uma interferência indevida sobre a atividade de institutos de pesquisa.

Leia mais: As pesquisas não mentem sobre Flávio

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Comentários (1)

Fabio

09.06.2026 20:49

Esse sujeito é um vagabundo, só pode.


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