Nunes Marques vai desistir do “selo de acurácia” para institutos de pesquisas?
O presidente do TSE está disposto a postergar a implementação da ideia devido à receptividade ruim que teve
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, já reavalia a criação do “selo de acurácia” para os institutos de pesquisa, segundo a Folha de S.Paulo.
De acordo com o jornal, o magistrado está disposto a postergar a implementação da ideia devido à receptividade ruim que teve entre institutos de pesquisa e colegas de tribunal.
Embora trate a agenda como prioridade, Nunes Marques reconhece que o debate sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas eleições é mais urgente.
O “selo de acurácia” de Nunes Marques
Nunes Marques suspendeu, em junho, a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel, que mostrava uma queda do candidato Flávio Bolsonaro.
Um mês depois, o magistrado propôs a criação de um “selo de acurácia eleitoral” para premiar os levantamentos que mais se aproximam do resultado das urnas.
A proposta foi apresentada durante uma reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa, realizada na sede do TSE.
“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência dos resultados oficiais das eleições”, disse o ministro.
“Em um cenário de constante evolução das metodologias de coleta de dados, dos hábitos de comunicação da sociedade e das formas de interação entre os eleitores, o aprimoramento permanente das pesquisas constitui desafio compartilhado por toda a comunidade científica e pelas instituições que atuam no processo democrático”, acrescentou.
A ideia foi duramente criticada pelos institutos de pesquisas.
“Exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal”, afirmou a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP).
“Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de ‘acerto’, o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio. Isso enfraquece, em vez de fortalecer, a qualidade da informação oferecida ao eleitor”, prosseguiu.
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