Novo Bolsa Família começa a cair na conta a 6 dias do 2º turno
Primeiros pagamentos do benefício reajustado ocorrerão em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno
O novo valor do Bolsa Família começará a cair na conta dos beneficiários em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O calendário coloca o pagamento reajustado entre as duas etapas da disputa eleitoral, depois do primeiro turno, previsto para 4 de outubro.
O reajuste de 15,04%, anunciado pelo presidente Lula (PT) nesta quinta-feira, 17, elevará o benefício mínimo de 600 para 691 reais. O valor médio pago pelo programa passará de 675 para 777 reais. O Bolsa Família atende atualmente cerca de 19,3 milhões de famílias.
A proximidade do pagamento com o segundo turno ocorre em um momento de disputa apertada nas pesquisas. Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta quinta-feira, 17, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47,2% das intenções de voto contra 46,8% de Lula em um cenário de segundo turno. A diferença de 0,4 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto percentual. A pesquisa ouviu 5.018 pessoas entre 11 e 16 de setembro e foi registrada no TSE sob o número BR-06221/2026.
A oposição já questiona a proximidade entre o pagamento e o calendário eleitoral. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou para O Antagonista que o grupo avalia recorrer à Justiça Eleitoral e discute se a medida pode configurar crime eleitoral. Segundo ele, a oposição precisa deixar claro que não é contra o programa ou contra o atendimento às famílias de baixa renda, mas questiona o uso eleitoral de medidas anunciadas às vésperas da eleição.
O governo, por sua vez, nega relação entre o reajuste e a eleição. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o aumento foi resultado de estudos técnicos e da recomposição da inflação. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também disse que o percentual recompõe a inflação acumulada desde 2023, medida pelo INPC.
Além do novo piso, o reajuste altera os demais componentes do programa. O Benefício de Renda de Cidadania passará para 164 reais por integrante, enquanto o adicional da primeira infância subirá para 173 reais e o Benefício Variável Familiar chegará a 58 reais.
Segundo o governo, o impacto da medida será de 5,8 bilhões de reais em 2026 e de cerca de 22 bilhões de reais em 2027. A equipe econômica afirma que o aumento será acomodado no Orçamento por meio de remanejamentos de despesas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)