Novo aciona TCU contra Janja por desfile de Carnaval
Partido questiona mobilização da primeira-dama para organizar carro alegórico no Carnaval do Rio e pede responsabilização de gestores
O Partido Novo protocolou representação no TCU (Tribunal de Contas da União) para apurar o uso da estrutura da Presidência da República na organização do carro alegórico onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfilará no domingo, 15 de fevereiro. A escola Acadêmicos de Niterói homenageará o petista no Carnaval do Rio de Janeiro.
A legenda aponta que a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, coordenou a elaboração de convites personalizados, a escolha de fantasias e a seleção de participantes. Segundo o partido, essas atividades teriam sido realizadas com recursos humanos e materiais da União, a partir do gabinete que a primeira-dama ocupa no Palácio do Planalto.
Alegação de desvio de finalidade
O documento argumenta que a utilização da máquina pública para uma atividade de caráter festivo e pessoal configura desvio de finalidade. A representação cita ainda uma orientação normativa publicada pela Advocacia-Geral da União em 2025, que determina que a atuação do cônjuge do presidente deve respeitar os princípios constitucionais e estar vinculada ao interesse público.
“Não há malabarismo jurídico que justifique o interesse público no dispêndio de recursos públicos para a participação da primeira-dama em desfile de escola de samba, muito menos que justifique o desvirtuamento da estrutura estatal para a organização da lista de convidados e das fantasias a serem utilizadas pelos componentes do carro alegórico”, afirma o texto.
Pedidos ao TCU
O Novo solicita que o TCU impeça a participação de servidores públicos em atividades logísticas ou de articulação institucional ligadas ao carro alegórico. A legenda pede também a responsabilização dos gestores e autoridades envolvidos, com aplicação de sanções que podem incluir multas.
Segundo questionamento
Esta é a segunda vez que o partido questiona a participação presidencial no evento. Anteriormente, a legenda contestou o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola Acadêmicos de Niterói. O recurso integra um pacote de financiamento destinado às 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
A área técnica do TCU recomendou a suspensão da transferência, mas o ministro Aroldo Cedraz rejeitou o pedido. A decisão considerou que a distribuição dos valores seguiu critérios objetivos e isonômicos, sem evidências de favorecimento a uma escola específica em relação às demais agremiações contempladas.
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