Nova tecnologia detecta risco de acidente em portas do Metrô
Tecnologia da USP mira falha de segurança entre trens e plataformas em São Paulo
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Metrô de São Paulo, patentearam um sistema capaz de identificar pessoas, animais ou objetos presos no espaço entre os trens e as plataformas.
A ferramenta usa sensores de fibra óptica instalados na estrutura das portas para captar deformações causadas por peso e bloquear a partida da composição em caso de risco.
De acordo com o Jornal da USP, o projeto nasceu de uma demanda da própria companhia para corrigir uma brecha identificada no sistema de segurança das estações.
Como funciona o sistema
O dispositivo foi desenvolvido durante mestrado de Marcos Diniz, que atua na Engenharia de Manutenção do Metrô de São Paulo, com orientação do professor Josemir Coelho Santos, responsável pelo Laboratório de Sensores Ópticos da Escola Politécnica da USP.
Ao contrário de modelos que dependem de câmeras com processamento de imagem ou de sensores infravermelhos, a solução monitora a própria estrutura física da porta. Qualquer deformação provocada pela presença de um corpo entre o trem e a plataforma é captada por um sensor óptico de alta precisão, que emite alerta e trava a saída do veículo até a liberação da área.
Segundo os pesquisadores, esse método reduz a interferência de fatores climáticos, como chuva e neblina, e diminui disparos indevidos causados por objetos sem potencial de risco.
Outro ponto destacado é a cobertura de uma região pouco monitorada pelos equipamentos convencionais: o espaço sob as soleiras inclinadas das portas das plataformas, onde a identificação de obstáculos costuma ser mais complexa.
Próximas etapas de teste
O sistema está em fase de validação, com resultados obtidos até agora por meio de simulações computacionais. A próxima etapa prevista é a montagem de um protótipo em um módulo experimental cedido pelo Metrô de São Paulo, estrutura que reproduz as condições de uma plataforma real.
Nessa fase, serão realizados testes para confirmar se o sensor identifica corretamente a presença de pessoas ou objetos presos entre as portas. Caso os resultados sejam considerados adequados, a tecnologia deve avançar para experimentos em uma estação do Metrô.
Depois dessa fase, o sistema poderá seguir para processos de homologação e licenciamento, etapas necessárias antes de uma eventual implantação definitiva na rede metroviária de São Paulo. Não há, até o momento, data prevista para a conclusão dessas etapas.
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