“Nosso problema com os EUA será resolvido”, diz Lula
Petista discursou em inauguração de fábrica da BYD em Camaçari, mesmo após a montadora ser processada por trabalho escravo pelo MPT
O presidente Lula (PT) disse nesta quinta-feira, 9, que o problema com os Estados Unidos “será resolvido” e que o Brasil “quer estar bem” com todos os países. O comentário do petista foi feito durante a inauguração da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari, Bahia.
A empresa foi processada em maio pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-BOA) por trabalho escravo e tráfico de pessoas em uma obra da empresa realizada justamente em Camaçari em dezembro de 2024.
“É por isso que nós não concordamos quando os Estados Unidos tomaram uma posição de taxar os produtos brasileiros com base em coisas que não eram verdadeiras. E graças a Deus também aquilo que precisa impossível… eu tive uma conversa com o presidente [Donald] Trump terça-feira [7], meia-hora por telefone, e eu acho também que o nosso problema com os Estados Unidos será resolvido.
Porque a gente quer estar bem com a China, e a gente quer estar bem com os Estados Unidos, a gente quer estar bem com a Argentina, a gente quer estar bem com o Uruguai, a gente quer estar bem com a Bolívia. Nós não queremos estar mal com nenhum país. Nós queremos estar bem, porque esse povo aqui é motivado pela paixão”.
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MPT e BYD
Na ação civil pública protocolada, o órgão pede o pagamento de R$ 257 milhões da BYD e das empresas prestadoras da serviços exclusivos para a montadora – China JinJang Construction Brazil Ltda e da Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil Co – por danos morais coletivos, além da quitação das verbas rescisórias devidas e o cumprimento das normas brasileiras de proteção ao trabalho.
O processo foi impetrado após o MPT receber uma denúncia anônima sobre 220 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão.
Os funcionários chineses foram instalados em alojamentos sem condições de conforto e estavam sendo vigiados por seguranças armados, impedindo a livre circulação ou a saída do local.
Além disso, os passaportes dos trabalhadores foram retidos pela construtora.
Um dos chineses contou ao MPT que sofreu um acidente por excesso de trabalho.
De acordo com o Repórter Brasil, “os contratos previam jornada de dez horas por dia, seis dias por semana, com possibilidade de extensão, o que levada a uma jornada semanal de 60 a 70 horas – muito maior do que o limite legal no Brasil de 44 horas“.
Segundo o MPT, todos eles entraram no país com vistos irregulares.
Na ocasião, a BYD informou que a construtora terceirizada Jinjang Construction Brazil Ltda havia cometido irregularidades e, por isso, decidiu finalizar o contrato com a empreiteira. A montadora afirmou ainda que “não tolera desrespeito à lei brasileira e à dignidade humana”.
Lula e o presente
Lula recebeu no Palácio da Alvorada, em 24 de janeiro, representantes da BYD.
Na ocasião, o presidente da República recebeu um carro elétrico da montadora, para ser usado até janeiro de 2025. A primeira-dama Janja já apareceu nas redes sociais dirigindo o veículo.
Segundo a Folha de S.Paulo, o carro se tornou agora motivo de constrangimento para o petista, que é o maior expoente do Partido dos Trabalhadores (PT).
“O uso de trabalhadores em situação análoga à de escravos na construção da fábrica da BYD, na Bahia, deixou integrantes do governo federal constrangidos. Até o presidente Lula usa um carro cedido em comodato pela montadora chinesa de elétricos“, diz o jornal.
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