“Nossa pressão deu certo”, afirma Zema sobre maioria no STF
Governador afirma que decisão não encerra o caso e diz que “muitas coisas mudam na calada da noite”
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reagiu à decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que formou maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Zema afirmou que a decisão foi resultado da pressão pública em torno do caso e disse que, apesar do resultado parcial do julgamento, é preciso manter atenção aos desdobramentos.
“Nossa pressão deu certo. A maioria do STF decidiu manter Daniel Vorcaro preso. Mas não é hora de comemorar. Em Brasília, muitas vezes as coisas mudam na calada da noite. Seguiremos vigilantes. O Brasil não aguenta mais ver intocáveis protegidos pelo sistema”, afirmou.
A manifestação ocorreu após o colegiado alcançar maioria para referendar a decisão do relator do caso, ministro André Mendonça, que determinou a prisão preventiva do banqueiro no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também comentou o julgamento. Em publicação nas redes sociais, ele fez referência à possibilidade de colaboração nas investigações.
“Vem, delação. Vorcaro vai que é tua”, afirmou.
Julgamento no STF
O relator do caso, ministro André Mendonça, votou pela continuidade da medida cautelar e foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Com o placar de 3 a 0, o plenário virtual já alcançou maioria pela manutenção da prisão. Falta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes para o encerramento do julgamento.
No voto apresentado para referendar sua decisão monocrática, Mendonça afirmou que há “fortes indícios” da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o ministro, os elementos reunidos nas investigações indicam a existência de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e uso de empresas para viabilizar operações financeiras e ocultar pagamentos ilícitos. De acordo com o relator, Vorcaro teria desempenhado papel central no funcionamento do esquema investigado.
Ao analisar o pedido da Polícia Federal, Mendonça concluiu que estão presentes os requisitos legais para a prisão preventiva previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal. “A medida se mostra necessária para garantir a ordem pública e a instrução criminal”, registrou o ministro.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Segunda Turma e analisa se os ministros referendam a decisão individual de Mendonça que determinou a prisão preventiva de Vorcaro no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
A Segunda Turma do STF é composta pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. No caso, porém, Toffoli se declarou suspeito e não participa do julgamento. Com isso, o colegiado analisa o caso com quatro ministros, e a maioria já foi alcançada com os três votos apresentados até o momento.
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