No Ceará, Janja foge da imprensa e acusa “uso da fome como arma de guerra” em Gaza
Ao chegarem aos locais programados para as visitas, os jornalistas foram notificados sobre a proibição de cobertura das atividades da primeira-dama
Rosângela Lula da Silva, a Janja, primeira-dama do Brasil, esteve em Fortaleza nesta segunda-feira, 26 de maio, onde recebeu homenagem como embaixadora do programa Ceará Sem Fome:
“É mais do que justo que nossa primeira-dama seja nossa embaixadora, nos represente por meio deste programa”, destacou a primeira-dama do Estado, Lia de Freitas.
Em coletiva, Lia destacou que as primeiras damas ‘são um trabalho fundamental, olhar materno sensível das mulheres ao lado desses grandes gestores, esses homens que têm muitas tarefas a cumprir’.
Janja iniciou seu discurso saudando o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), a primeira dama do Ceará, Lia de Freitas (PT), e o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).
Ao receber o título, Janja agradeceu a homenagem e durante seu discurso afirmou que o programa Ceará sem Fome representa um ‘avanço nas políticas para erradicação da pobreza e das desigualdades’.
Entre as falas protocolares, ela tirou um momento para se referir à falta de alimentos na Faixa de Gaza. Segundo a primeira-dama, a fome na Faixa de Gaza ‘é usada como arma de guerra’:
“Eu queria pedir licença para vocês abrir um parêntese na minha fala para falar. Como a gente está falando de fome, eu queria falar um pouco sobre a situação dos palestinos na Faixa de Gaza, que estão sofrendo pelo uso da fome como arma de guerra’.
Janja se remeteu ao papa Francisco para fundamentar seu discurso sobre a fome:
“E como disse o nosso querido Papa Francisco, que nos deixou no último mês, a fome e a desnutrição não são causadas pela falta de alimento, mas pela sua escassa acessibilidade, condicionada pela pobreza, pela exclusão social e por um sistema econômico que prioriza o lucro em vez da solidariedade. Não podemos resignar-nos enquanto houver uma criança que morre de fome”, destacou a esposa de Lula.
Acesso negado à imprensa
Durante toda a sua agenda no Ceará, Janja optou por não fazer declarações à imprensa.
O primeiro evento da manhã ocorreu no Palácio da Abolição, em Fortaleza, onde Janja e o ministro da educação, Camilo Santana, se reuniram com o governador Elmano de Freitas.
Após o compromisso no palácio, a primeira-dama dirigiu-se à Escola Tapera das Artes, localizada no Centro de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Chegando ao local por volta das 11h, ela participou de uma recepção com estudantes e apoiadores. Apesar da presença dos jornalistas que aguardavam para cobrir o evento, não foi permitido o acesso à imprensa.
Em seguida, Janja visitou a Escola Indígena Jenipapo-Kanindé, também em Aquiraz, onde almoçaria com os alunos. Esta escola faz parte da rede pública estadual e mais uma vez o acesso dos jornalistas foi negado.
A programação de Janja no Ceará foi divulgada no site oficial do Governo Federal e informada à imprensa na noite do dia anterior.
No entanto, ao chegarem aos locais programados para as visitas, os jornalistas foram notificados sobre a proibição de cobertura devido à natureza privada das atividades da primeira-dama.
Interesse público
Vale ressaltar que em abril deste ano, a Advocacia Geral da União (AGU) publicou um documento estabelecendo que o apoio estatal ao cônjuge presidencial deve estar vinculado ao interesse público.
O parecer orienta sobre as normas que regem as viagens do cônjuge do Presidente da República.
A AGU esclareceu que Janja pode representar Lula em compromissos culturais; contudo, não pode assumir obrigações formais em nome do governo.
As atividades devem ser transparentes e divulgadas amplamente, assim como ocorre com outros ocupantes de cargos públicos.
A primeira-dama não possui um cargo oficial no Governo Federal e frequentemente enfrenta questionamentos sobre o uso de recursos públicos durante suas viagens.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
27.05.2025 08:33Janja, você não precisa pedir licença para falar. Não nos prive de suas gotas de “sabedoria”. Não deixe de dar entrevistas à imprensa, principalmente à imprensa amiga, onde você fica muito à vontade para falar. Não se cale. Fale, por favor. Ajude o Brasíl a acordar.