Nem Ciro Gomes tirou o nome dele do SPC
Político tem pendência com origem em um processo perdido em 2023 contra o colunista de economia Felippe Hermes da Silva
O ex-ministro e ex-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, agora figura na lista de inadimplentes do Serasa, após deixar de quitar uma dívida no valor de R$ 1 mil. A pendência tem origem em um processo perdido em 2023 contra o colunista de economia Felippe Hermes da Silva, que resultou em uma condenação para o político, obrigando-o a pagar os honorários advocatícios. O pagamento, contudo, não foi realizado.
A ação judicial que levou Ciro Gomes ao Serasa tramitou no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Em 2021, o então pré-candidato à Presidência processou o colunista em razão de um artigo intitulado “Das ideias malucas do Ciro Gomes que vão acabar fazendo o país parar no SPC”.
No artigo publicado no Infomoney, Hermes da Silva criticava a proposta de reestatização da Petrobrás. Em sua ação, Ciro Gomes alegou que a crítica, amplificada nas redes sociais, prejudicou sua imagem, o que o levou a pleitear uma indenização no valor de R$ 10 mil.
No entanto, a sentença foi desfavorável ao político. O juiz Alexandre Schwartz Manica, da 10ª Vara Cível de Porto Alegre, julgou improcedente o pedido de Ciro, destacando em sua decisão que, como figura pública e política, o autor deveria estar sujeito à crítica.
“A parte autora por ser um político está exposto a uma maior visibilidade, uma maior exposição pública, onde a crítica como opinião, nem sempre fere a imagem e a intimidade, porque há disputadas de caráter ideológico, devendo-se ter maior tolerância com certas manifestações, próprias do jogo político”, alegou o magistrado na decisão.
Com a derrota, Ciro Gomes foi intimado a pagar 10% do valor da indenização solicitada a título de honorários. Não obstante, o pagamento não foi realizado. Como consequência, seus bens foram bloqueados judicialmente, mas o valor não foi encontrado, levando à inscrição de seu nome nos cadastros de inadimplentes.
Dívidas anteriores
Esta não é a primeira vez que o ex-ministro se vê envolvido em problemas decorrentes de não pagamento de decisões judiciais. Em maio de 2023, a 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou a penhora de bens de Ciro Gomes, após o não pagamento de uma indenização imposta pela Justiça em 2018, em um processo movido pela editora Abril Comunicação.
O processo teve origem em uma ação de Ciro Gomes contra a revista Veja, por danos morais. Na ocasião, o TJSP deu ganho de causa à publicação, determinando que o político arcasse com honorários advocatícios no valor de R$ 31 mil, considerando os juros e a correção monetária. Esse montante, porém, também não foi pago.
Além disso, em outubro de 2023, sua esposa, Giselle Bezerra, teve suas contas bloqueadas pela Justiça de São Paulo em função de uma ação movida pelo ex-governador de São Paulo, José Serra. o.
É irônico que Ciro Gomes, que em 2022 prometeu um programa para retirar pessoas do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), agora figure ele próprio no Serasa devido a uma dívida não paga de R$ 1 mil. O ex-ministro, que propôs um “Desempenho Positivo” como forma de recuperar a credibilidade financeira de cidadãos em dificuldades, agora se vê na mesma situação que muitos brasileiros que enfrentam problemas de inadimplência.
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Comentários (2)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
06.03.2025 12:52O Brasil é farto destas ironias deliciosas.
Fernando G C Furtado
06.03.2025 12:49Essa ninharia honorária nem merecia um post de atenção. O que merece mesmo é a renúncia do Ciro às aposentadorias pelos cargos públicos acumulados. Enquanto isso, um certo inelegível está faturando aproximadamente 100K, sem falar nas regalias que todos os ex-presidentes possuem...