“Não há interesse técnico”, diz diretor da PF sobre delação de Vorcaro
Andrei Rodrigues afirma que relatos apresentados pela defesa do banqueiro não trazem fatos inéditos e já eram de conhecimento dos investigadores
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (foto), afirmou que a corporação não tem interesse em fechar um acordo de colaboração premiada com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo ele, a proposta apresentada pela defesa não reúne os requisitos jurídicos e técnicos exigidos para a celebração do acordo.
Durante entrevista nesta sexta-feira, 4, Andrei disse que os relatos apresentados por Vorcaro não trazem informações inéditas.
“De fato, não há interesse técnico, não há elementos jurídicos que autorizem essa proposta de delação seja validada, porque muitas das coisas que estão sendo contadas já são do nosso conhecimento”, afirmou.
Andrei Rodrigues disse ainda que a preservação das provas é uma prioridade da PF e que a corporação adota medidas para evitar vazamentos que possam comprometer as investigações.
“Houve vazamento, por parte da CPI, de conversas até de foro íntimo. Nós temos essa cautela, essa preservação”, disse.
O diretor-geral acrescentou que a PF chegou a realizar uma operação interna para apurar suspeitas de vazamento de informações sigilosas e afirmou que o objetivo é preservar a cadeia de custódia das provas e evitar questionamentos que possam levar à anulação de investigações no futuro.
Delações rejeitadas
A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, em 15 de junho, a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro.
A decisão segue o entendimento da Polícia Federal (PF), que também negou duas propostas de delação do ex-dono no Master.
Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os termos oferecidos por Vorcaro não apresentam fatos ou elementos novos em relação ao que já é conhecido pelas autoridades e consta nas investigações em andamento.
Segundo a PGR, a proposta não trouxe um compromisso concreto de devolução de recursos, considerado um dos principais pontos para o avanço das negociações.
A PGR defendia que Vorcaro sinalizasse a restituição de pelo menos 60 bilhões de reais aos cofres públicos como condição para dar continuidade às tratativas.
Vorcaro na Papudinha
Sem acordo de delação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência de Vorcaro para a Papudinha.
“A transferência deve ser feita pelo meio considerado mais adequado à movimentação, com adoção das providências necessárias à preservação da integridade física do custodiado e à segurança da diligência”, diz a decisão.
Vorcaro está preso, desde março, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
Ele é investigado por fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e outros crimes.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Esse diretor geral é um "chaveirinho do lula", o acompanha em todas as viagens.
Pedro Boer
04.07.2026 15:57Quando uma proposta de colaboracão chega aos investigadores, ela deveria obrigatoriamente ser inserida nos autos e submetida a PGR, que aceitaria ou não, com justificativas também nos autos. E mais importante, ser de conhecimento público. Afinal estamos numa democracia; mm o povo quer saber.
Ana Lúcia Amaral
04.07.2026 13:43O ocupante do cargo de diretor geral da PF deveria se abster de qualquer comentário sobre o caso Master/Vorcaro, pois sua imparcialidade foi destruída por whisk em Londres.