“Não é momento” para convocar irmão de Lula, diz relator da CPMI do INSS
Frei Chico, irmão de Lula, é vice-presidente do Sindnapi, entidade alvo de investigação por desvios de aposentados e pensionistas
Relator da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), afirmou que o momento não é adequado para a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT). Segundo ele, há aspectos mais urgentes a serem investigados.
Irmão mais velho do petista, Frei Chico é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A entidade foi acusada de estar envolvida no esquema de desvios indevidos de aposentados e pensionistas.
A comissão definiu que o marco temporal da apuração será de 2015 a 2025. De acordo com Gaspar, o recorte busca evitar casos já prescritos.
“Não vamos fazer bondade com o chapéu alheio. A população brasileira quer respostas concretas”, disse Gaspar na sexta-feira, em entrevista à CNN Brasil.
Conforme relatório da Controladoria-Geral da União, o sindicato do irmão de Lula chegou a incluir 3,2 mil novos filiados por ao dia. A CGU também apontou que em uma de suas diligências a entidade não conseguiu comprovar a existência de documentação completa referente a 19 nomes incluídos nos sistemas do sindicato. A amostra foi determinada pelo órgão.
Ao pedir o bloqueio de recursos e quebra de sigilo de sindicatos envolvidos na fraude do INSS, no entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) deixou de fora o Sindnapi.
Convocação de ex-presidentes
O relator também comentou a possibilidade de convocar ex-presidentes da República para depor. A discussão surgiu após pedido de convocação de Jair Bolsonaro (PL).
“Se todos concordarem, a Dilma, o Temer, o Bolsonaro e o Lula estariam esclarecendo essas questões perante o povo brasileiro, não vejo nenhum problema”, afirmou.
“Nós só temos que agir com o princípio da igualdade. Se vai chamar um ex-presidente, vamos chamar a todos.”
O deputado pretende propor que os trabalhos da CPMI se concentrem nos governos Dilma Rousseff (2º mandato), Michel Temer, Jair Bolsonaro e no terceiro mandato de Lula.
Segundo Gaspar, um dos objetivos é entender como entidades associativas passaram a atuar no INSS e conseguiram fraudar sistemas. Para isso, ele quer priorizar oitivas de ex-ministros da Previdência e de ex-presidentes do INSS.
O plano de trabalho deve ser finalizado no fim de semana e apresentado na próxima terça-feira.Até esta sexta-feira, deputados e senadores haviam apresentado 724 requerimentos à CPMI, entre os quais pedidos de quebras de sigilo fiscal e telemático de pessoas ligadas ao ministério da Previdência.
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