MPF pode investigar sociólogo Jessé Souza por falas antissemitas
Em vídeo, intelectual associou crimes do bilionário americano Jeffrey Epstein ao que chamou de “lobby judaico”; Conib reagiu às declarações
O Ministério Público Federal recebeu uma notícia-crime contra o sociólogo Jessé Souza. A denúncia foi apresentada pelo deputado estadual Guto Zacarias, do União-SP, e pelo coordenador nacional do MBL, Renato Battista. Os signatários pedem que o órgão processe criminalmente o intelectual ou solicite a abertura de inquérito policial.
A ação ocorre após o escritor publicar em suas redes sociais um vídeo no qual relaciona as atividades criminosas do bilionário americano Jeffrey Epstein ao que denominou “lobby judaico”. O material foi removido pelo próprio autor.
Declarações geram reação da comunidade judaica
No vídeo excluído, Souza afirmou que Epstein representa “o produto mais perfeito do sionismo judaico”. Segundo o sociólogo, essa corrente seria a “força motriz por trás de todos os crimes que foram cometidos”. As declarações provocaram reação imediata da comunidade judaica.
A Conib lamentou que o acadêmico utilize sua projeção para disseminar o que chamou de “conceitos carregados de ódio contra judeus”.
O documento apresentado ao MPF argumenta que as manifestações ultrapassam o limite da crítica política. Para os autores da notícia-crime, o conteúdo configura discurso de ódio direcionado ao povo judeu, e não apenas ao Estado de Israel.
Versão apresentada pelo sociólogo é contestada
Os signatários da denúncia apontam que Souza apresentou “uma versão delirante” dos fatos. O sociólogo afirmou que o escândalo envolvendo Epstein teria sido promovido pelo Estado de Israel. O objetivo seria chantagear políticos e empresários que utilizaram os serviços criminosos do bilionário.
O vídeo continha outras afirmações polêmicas. O escritor declarou que “o holocausto judeu foi cafetinado pelo sionismo, com ajuda de Hollywood e de toda a mídia mundial”. Também estabeleceu paralelos entre Israel e Epstein, dizendo que “assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo”.
Pseudo retratação e nova polêmica
A repercussão negativa levou o sociólogo a remover o material original. Em substituição, publicou outro vídeo em que pediu desculpas por não ter separado “devidamente os lobbies sionista e judaico”. A ressalva, porém, veio acompanhada da manutenção do restante do discurso. “Mas mantenho todo o resto. Epstein não é um caso isolado, mas sim um filho dileto do sionismo como ideologia racista e assassina”, afirmou.
Na tarde da terça-feira, 10, Souza divulgou uma nota na qual repudiou todas as formas de discriminação. No texto, negou ter acusado indivíduos ou coletividades, alegando ter mirado apenas uma “estrutura de poder”. Reiterou o erro ao não diferenciar os lobbies e disse lamentar o episódio.
O caso agora tramita no Ministério Público Federal, que decidirá sobre o prosseguimento das investigações ou eventual arquivamento da notícia-crime.
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