Morre, aos 91 anos, a atriz Glória Menezes
Atriz estava em sua casa no Rio de Janeiro e deixa trabalhos no teatro, cinema e cerca de 40 produções para a televisão ao longo de mais de seis décadas
Glória Menezes (1934-2026) morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pela família. Uma das atrizes mais conhecidas da televisão brasileira, ela construiu uma carreira de mais de seis décadas entre TV, cinema e teatro. A artista participou de cerca de 40 produções televisivas e interpretou personagens que passaram por diferentes fases da dramaturgia nacional desde o fim dos anos 1950.
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória Menezes dedicou a juventude aos estudos de piano. Nos anos 1950, matriculou-se na Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso em 1959, um ano antes da conclusão. Naquele período, iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi (1950-1980) e participou de Um Lugar ao Sol (1959), sua primeira novela, exibida pela TV Excelsior (1960-1970).
No ano seguinte, já com o nome artístico que a acompanharia profissionalmente, a atriz chegou aos palcos em uma montagem de As Feiticeiras de Salém (1960), de Arthur Miller, assinada por Antunes Filho (1929-2019). A experiência no teatro antecedeu um dos principais trabalhos de sua carreira no cinema. Pouco depois, Glória ganhou projeção com O Pagador de Promessas (1962), filme dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009).
Glória Menezes ganhou projeção com O Pagador de Promessas
No longa baseado na peça de Dias Gomes (1922-1999), Glória Menezes interpretou Rosa, personagem marcada pelo sofrimento e que acompanha Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar (1923-2020). O Pagador de Promessas venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O reconhecimento do longa abriu espaço para uma fase de maior presença da atriz em produções televisivas durante os anos seguintes.
Em 1963, a artista recebeu um papel central em 2-5499 Ocupado (1963). Na novela, interpretou uma presidiária e formou par romântico com Tarcísio Meira (1935-2021), com quem se casou em outubro daquele ano. O casal teve Tarcísio Filho em 1964, que também seguiu a profissão dos pais. O ator foi o único filho de Meira e o terceiro de Glória, que já era mãe de Maria Amélia e João Paulo.
Glória Menezes e Tarcísio Meira também passaram a dividir trabalhos na televisão e no teatro. Em 1976, por exemplo, os dois subiram aos palcos com a comédia Tudo Bem no Ano Que Vem (1976), de Bernard Slade, sob direção de Flávio Rangel (1934-1988). Na Globo, a parceria dos atores se repetiu em diferentes produções e ajudou a associar profissionalmente os nomes do casal ao longo de várias décadas.
Entre os trabalhos que fizeram juntos estão Sangue e Areia (1967), Rosa Rebelde (1969), Espelho Mágico (1977), Guerra dos Sexos (1983), a série Tarcísio & Glória (1988), Páginas da Vida (2006) e A Favorita (2008). Outra parceria ocorreu em Irmãos Coragem (1970), novela de Janete Clair (1925-1983), na qual Glória interpretou Lara, jovem que apresentava três personalidades diferentes durante a história exibida pela Globo.
Novelas marcaram diferentes fases da carreira
Além das produções ao lado de Tarcísio Meira, a atriz teve personagens de destaque sem o ator no elenco. Em Corpo a Corpo (1984), integrou a novela escrita por Gilberto Braga (1945-2021). Três anos depois, em Brega & Chique (1987), viveu uma dona de casa pobre que recebia uma herança milionária. A sequência de trabalhos manteve Glória Menezes presente em papéis centrais da dramaturgia televisiva daquela década.
Já em Rainha da Sucata (1990), Glória interpretou Laurinha Figueroa, personagem que enfrentava problemas financeiros, mas preservava as aparências. Um dos momentos da novela mostra Laurinha tirando a própria vida ao se jogar do alto de um prédio na avenida Paulista. A personagem entrou para a galeria de papéis da atriz na Globo e marcou outra parceria profissional com o autor Silvio de Abreu na televisão brasileira.
Alguns trabalhos também exigiram mudanças físicas da artista. Na peça Jornada de um Poema (2000), dirigida por Diogo Vilela, ela interpretou uma professora com câncer e raspou a cabeça para viver a personagem. Anos depois, voltou a fazer a mudança para Jóia Rara (2013), novela na qual encarnou uma monja tibetana. As duas produções levaram a atriz a assumir caracterizações diferentes das apresentadas em outros trabalhos de sua carreira.
No cinema, Glória retornou às telas em Se Eu Fosse Você (2006), depois de permanecer cerca de duas décadas sem atuar em longas. A comédia teve direção de Daniel Filho e marcou outra participação da artista no gênero. Posteriormente, em 2013, ela também voltou ao teatro com Ensina-Me a Viver (2013), montagem dirigida por João Falcão e baseada no texto de Colin Higgins sobre a amizade entre uma octogenária e um jovem.
Totalmente Demais foi um dos últimos trabalhos de Glória Menezes
Um dos últimos personagens de Glória Menezes na televisão apareceu em Totalmente Demais (2015). Na novela escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, a atriz viveu Stelinha, socialite rica e mãe de Arthur, personagem de Fabio Assunção. Na trama, ela chega com a missão de transformar Eliza, interpretada por Marina Ruy Barbosa, em uma estrela e passa a participar diretamente da preparação da jovem para uma nova fase.
Ao longo de mais de 60 anos de trabalho, Glória Menezes reuniu personagens no teatro, cinema e televisão. Da participação em O Pagador de Promessas aos papéis em Irmãos Coragem, Brega & Chique, Rainha da Sucata e Totalmente Demais, a atriz atravessou diferentes períodos da dramaturgia brasileira. Também dividiu parte dessa carreira com Tarcísio Meira, tanto nos palcos quanto em novelas e outras produções exibidas pela Globo.
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