Moro questiona “autoridade moral” de Lula para defender democracia
Senador afirmou que veto ao PL da Dosimetria amplia sofrimento dos condenados
O senador Sergio Moro (União Brasil) criticou nesta quinta-feira, 8, o veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei que reduz as penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em postagem no X, Moro afirmou que a decisão do petista representa “fazer política ao custo de pessoas simples”. Segundo o senador, Lula “perdoa corruptos”.
“Todos reconhecem que as penas impostas aos manifestantes do 8/1 são excessivas. O veto de Lula ao projeto de redução das penas é fazer política ao custo do sofrimento de pessoas simples. Gente como Lula, que perdoa corruptos como José Dirceu, concede asilo a Nadine Heredia e adula ditadores como Maduro, não tem autoridade moral para empunhar a bandeira da defesa da democracia. Vamos derrubar esse veto no Congresso”, publicou.
Veto
Lula assinou o veto durante cerimônia, no Palácio do Planalto, para lembrar os atos daquela data – quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por bolsonaristas inconformados com o resultado da eleição presidencial de 2022.
O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso em dezembro, em uma derrota para o governo Lula. Após a aprovação, em 18 de dezembro, o petista afirmou iria vetá-lo. A Câmara e Senado vão decidir, em sessão conjunta que ainda será marcada, se mantêm ou derrubam o veto.
A decisão de Lula no dia 8 de janeiro deste ano dá um caráter simbólico à medida. O evento para lembrar os três anos dos atos golpistas ocorreu no Salão Nobre do Palácio do Planalto, teve atividade na área externa e contou com a participação de várias autoridades e de representantes da sociedade civil.
O que diz o PL da Dosimetria?
Segundo o texto, quando os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito forem praticados em contexto de multidão, a pena será reduzida de um terço a dois terços. É requisito para isso que o infrator não tenha financiado ou exercido papel de liderança.
O projeto também prevê o menor tempo possível de prisão para a progressão de regime, nos crimes contra o Estado Democrático de Direito, independentemente de o réu ser reincidente ou usar violência ou grave ameaça.
Dessa forma, o sentenciado deve ter bom comportamento e cumprir pelo menos 16,6% da pena para que passe de um regime mais severo para um mais brando, como do fechado para o semiaberto. Atualmente, a porcentagem mínima é de 16%, quando o condenado é réu primário e não usou de violência.
O texto mantém os percentuais atuais – que são maiores em caso de violência, grave ameaça e reincidência -, com exceção dos crimes contra o Estado Democrático de Direito.
A proposta proíbe a soma das penas nos crimes contra as instituições democráticas trazidos pelo Código Penal; o infrator precisa ter cometido mais de um crime no mesmo contexto, para ser beneficiado.
Desse modo, a pessoa que tentar abolir o Estado democrático de direito e, simultaneamente, tentar depor o governo receberá somente a pena mais elevada, com um aumento proporcional. Essa mudança oferece um cálculo mais vantajoso para quem cometeu esses crimes.
Atualmente, o juiz pode somar penas de diferentes crimes cometidos por meio de uma única ação, caso praticada com essa intenção. Além disso, é possível somar penas de crimes cometidos mediante mais de uma ação. O Supremo Tribunal Federal (STF) fez isso em relação aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e a Bolsonaro.
Ainda de acordo com o PL da Dosimetria, indivíduos em prisão domiciliar poderão considerar o trabalho como forma de diminuir a pena a ser cumprida. Hoje, somente o estudo pode reduzir a pena na modalidade domiciliar.
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