Moro critica decisão de Moraes: “Não é possível concordar”
Ex-juiz da Lava Jato e ministro da Justiça e Segurança Pública afirma que “escalada da crise não interessa ao Brasil”
O senador e ex-juiz Sérgio Moro, figura central da Operação Lava Jato, manifestou seu descontentamento com a decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que decretou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro nesta segunda-feira. De acordo com Moro, “a escalada da crise não interessa ao Brasil. Não é possível concordar com a imposição de prisão domiciliar e censura a Bolsonaro que sequer foi julgado”.
Moro foi escolhido pelo próprio Bolsonaro como ministro da Justiça e Segurança Pública, e tratado como um dos símbolos mais poderosos do combate à corrupção no Brasil, responsável pelo julgamento de dezenas de figuras políticas e empresariais, entre elas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e posteriormente solto em uma reviravolta judicial.
Pedido de demissão e acusações graves a Bolsonaro
Menos de dois anos depois de renunciar a uma carreira de 22 anos na magistratura e aceitar o convite do então presidente Jair Bolsonaro, Sérgio Fernando Moro pediu demissão do cargo, poucas horas depois de Bolsonaro exonerar o na época diretor-geral da Polícia Federal (PF), Mauricio Valeixo.
Sérgio Moro declarou, ao anunciar a saída do governo, que “esse ultimo ato [a exoneração de Valeixo] é uma sinalização que o presidente me quer realmente fora do cargo. Essa precipitação na exoneração, não vejo muita justificativa”, e concluiu afirmando que, de fato, o presidente queria interferir diretamente na PF: “Eu disse que seria uma interferência política. Ele disse que era mesmo”.
Depois do afastamento, declaração de apoio em 22
Apesar do afastamento do governo, Sérgio Moro viria a manifestar voto e apoio ao então candidato Jair Bolsonaro na eleição de 2022, em que Lula obteve vitória apertada no segundo turno. Segundo ele, “Lula não é uma opção eleitoral, com seu governo marcado pela corrupção da democracia. Contra o projeto de poder do PT, declaro, no segundo turno, o apoio para Bolsonaro”.
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