Moro a ministro de Lula: “Fale menos e vá trabalhar”
Senador rebateu ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), que chamou Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de "conversa de boteco"
O senador Sergio Moro (União-PR) se manifestou contra a fala ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, por questionar o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2024, que posicionou o Brasil na pior classificação histórica do ranking desde sua criação, em 2012.
Depois que o chefe da CGU criticou a metodologia do estudo, comparando-a a “conversa de boteco”, Moro sugeriu, nesta terça-feira,11, que Carvalho “tenha mais humildade, fale menos e vá trabalhar”.
“Segundo o Ministro da CGU do Governo Lula, o ranking da Transparência Internacional que colocou o Brasil na pior posição de sua história é “conversa de boteco”. É o tipo de declaração desqualificada que se espera do ministro de um Governo que esvaziou o combate e a prevenção à corrupção no Brasil, a começar pela suspensão da lei das estatais”, declarou Moro na rede social X.
E acrescentou: “Lula conseguiu colocar o Brasil na 107 posição entre 189 países, atrás da Argentina, Colômbia, Etiópia, Senegal, Cuba e Kazaquistão, entre outros. Minha sugestão ao Ministro: tenha mais humildade, fale menos e vá trabalhar”.
Transparência Internacional
Desde 1995, a Transparência Internacional é responsável pela elaboração do IPC, com uma série histórica comparável desde 2012, avaliando 180 países e atribuindo notas de 0 a 100. A pontuação mais alta reflete uma percepção mais positiva sobre a integridade pública de uma nação. O levantamento utiliza dados provenientes de diversas fontes, como acadêmicos, juristas, empresários e outros especialistas sobre a corrupção no setor público.
Conversa de boteco ?
“A Transparência dizer que a percepção da população sobre corrupção aumenta porque o presidente não fala disso. De onde tiraram? O que tem de sério? É uma correlação, não tem causalidade, não tem nada, é conversa de boteco”, disse Carvalho em entrevista à GloboNews.
Após as declarações do ministro, a Transparência Internacional se manifestou em suas redes sociais, lembrando que, apesar das críticas de Carvalho, o presidente Lula tem a responsabilidade de pautar e comunicar à sociedade as prioridades de seu governo. A ONG destacou que, em 2024, Lula fez 231 discursos, mas a palavra “corrupção” foi mencionada em apenas 10 ocasiões, e sempre com críticas à luta contra o problema.
Brasil longe das democracias
O país agora está mais próximo de nações como Argélia, Malauí, Nepal, Níger, Tailândia e Turquia, em comparação com há dez anos, quando o Brasil estava em pé de igualdade com países como Bulgária e Itália.
No ranking de 2024, as nações mais bem posicionadas foram Dinamarca, Finlândia, Cingapura, Nova Zelândia, Luxemburgo, Noruega e Suíça, enquanto os países mais mal avaliados foram Sudão do Sul, Somália, Venezuela, Síria, Guiné Equatorial, Eritreia, Líbia e Iémen.
O Brasil ficou abaixo da média da América Latina, com 42 pontos, e da média global, que foi de 43 pontos. No grupo do G20, o Brasil ocupou a 16ª posição, empatado com a Turquia, à frente apenas do México e da Rússia.
A Transparência Internacional ressaltou que, com a pontuação de 34, o Brasil está muito próximo da média das nações não democráticas, de acordo com a avaliação da Economist Intelligence Unit, que tem uma pontuação média de 33 pontos.
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Comentários (2)
Ita
12.02.2025 10:21É isso aí. O "sistema" está funcionando. A corte está se locupletando. Vamos em frente!!! mesmo caminhando para trás.
Clayton De Souza pontes
11.02.2025 22:03O relatório da TI aponta eventos diversos, de corrupção ou mau uso dos recursos publicos, não contestados pelo ministro da CGU. O STF e o Congresso são protagonistas nesse questão