Moraes volta atrás e nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Ministério das Relações Exteriores do Brasil alegou que encontro poderia configurar ingerência externa em assuntos internos do país
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou sua própria decisão e negou o pedido para que Darren Beattie, assessor sênior para sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília.
O novo entendimento de Moraes foi adotado após o Itamaraty alegar que o encontro poderia “configurar devida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. A afirmação consta em oficío enviado a pedido do ministro sobre a existência de agenda diplomática de Beattie.
“A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, diz Moraes na nova decisão.
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Moraes autorizou visita
Na última terça-feira, 10, Moraes autorizou a visita de Darren Beattie a Bolsonaro na Papudinha em 18 de março, no período das 8h às 10h. A defesa havia pedido que o encontro fosse autorizado para 16 ou 17 de março.
“O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)”, disseram os advogados do ex-presidente no pedido.
O ministro, contudo, destacou que não há previsão legal para realizar alteração específica de dia de visitação, “uma vez que os visitantes devem ser adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário, no sentido de resguardar a organização administrativa e a segurança”.
Após a recusa, os advogados de Jair Bolsonaro apresentaram um novo pedido para que o encontro fosse no dia inicialmente proposto.
Darren Beattie
Responsável por conduzir as políticas e ações de Washington em relação a Brasília, Darren Beattie foi nomeado para o cargo no mês passado.
Segundo o Departamento de Estado americano, ele é“apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano”.
Em 2025, Beattie acusou Moraes de ser o “coração pulsante” do que chamou de “complexo de perseguição e censura” contra Bolsonaro.
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