Moraes nega encontro com ex-presidente do BRB e Vorcaro em Brasília
Reportagem do Metrópoles afirmou que o ministro teria estado ao menos duas vezes na mansão do banqueiro na capital federal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, em nota divulgada nesta terça-feira, 27, ter se reunido com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa na mansão do empresário mineiro Daniel Vorcaro em Brasília.
A informação foi divulgada pelo Metrópoles, que afirmou que o ministro esteve na residência do banqueiro na capital federal pelo menos duas vezes.
Segundo Moraes, a reportagem é “falsa e mentirosa”.
“A matéria do Portal Metrópoles sobre uma suposta reunião do ministro Alexandre de Moraes, acompanhado por um assessor, com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, é falsa e mentirosa. Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”, diz a nota.
Encontro com Vorcaro e Costa
A primeira visita do magistrado a Vorcaro ocorreu em novembro de 2024. Segundo o portal, Moraes teria acompanhado o resultado da eleição americana, na qual Donald Trump foi eleito para o segundo mandato, em uma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos raros.
O segundo encontro ocorreu no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, Vorcaro teria apresentado ao ministro o então presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.
A venda do Master ao BRB foi barrada em meio à constatação de inconsistências nos ativos do banco de Vorcaro.
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O escritório da mulher de Moraes e o Master
O escritório Barci de Moraes, no qual trabalha Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, foi contratado pelo Banco Master em 2024.
Por mês, o escritório da esposa de Moraes recebia 3,6 milhões de reais do banco de Daniel Vorcaro.
O documento aponta que o escritório da família de Moraes foi contratado para atuar na defesa dos interesses da instituição financeira junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
Além de Viviane, trabalham no escritório os dois filhos do ministro do STF.
Diz o contrato:
“Para a execução do objeto do presente contrato, a contratada realizará: organização e a coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária (em outras palavras, a Polícia Federal), órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, Cade (órgão de defesa da concorrência) e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesse do contratante).”
O escritório Barci de Moraes firmou um contrato de 129 milhões de reais por três anos com o Master.
Os pagamentos, no entanto, foram interrompidos com a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Até outubro de 2025, último mês antes da intervenção pelo BC, o contratou gerou ao escritório de advocacia pelo menos 79 milhões de reais.
Mensagens trocadas entre Vorcaro e sua equipe indicam que os pagamentos para o escritório de Viviane Barci de Moraes eram prioridade e “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”, segundo o jornal.
A investigação da PF
O caso tramita no STF desde dezembro, após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do processo. A investigação busca detalhes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB, interrompida pelo Banco Central, e envolve operações que teriam movimentado cerca de 12 bilhões de reais em carteiras de crédito falsas.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos até 40% acima da média do mercado, considerados irrealistas pelos investigadores.
Há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema, que também teria contado com elos societários, familiares ou funcionais para inflar artificialmente ativos do banco.
Em março, o BRB chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
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