Moraes diz que Mendonça deu tratamento desigual a investigados
Decisão aponta diferença de critérios do ministro em casos com perfis políticos distintos
Relatórios de inteligência da Polícia Federal, citados pelo ministro Alexandre de Moraes em despacho desta quinta-feira, 3, apontam que André Mendonça teria adotado critérios diferentes ao avaliar investigados de espectros políticos opostos no âmbito do caso Master e do inquérito do INSS.
Com base nesses documentos, Moraes pede que o colega seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, em petição enviada ao presidente do STF, Edson Fachin.
Comparação entre casos
Segundo os relatórios, em encontro presencial realizado em 13 de agosto de 2026, Mendonça avaliou que o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), atuava em representação de interesses “dentro dos limites do permitido”.
A Polícia Federal registrou que essa situação se assemelha à de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tratado, segundo a corporação, sob parâmetros mais rígidos.
Um trecho do documento, reproduzido na decisão, resume a suspeita levantada pelos investigadores: “standards probatórios distintos conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos”. A observação é apresentada como um dos indícios de possível quebra de isonomia na condução das apurações.
Outras acusações na decisão
Além da comparação entre os dois casos, Moraes afirma que Mendonça conduziu de forma irregular negociações de delações premiadas e escolheu alvos de investigação por razões pessoais e políticas, com sugestão prévia de medidas cautelares à Polícia Federal. Segundo o ministro, essa conduta teria comprometido a imparcialidade esperada na relatoria.
Os alvos indicados nos relatórios seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O despacho foi assinado dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que o aponta como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master — decisão na qual Mendonça sinalizou levar ao plenário do STF a possibilidade de apurar Moraes.
Fachin, por sua vez, abriu procedimento para esclarecer nulidades apontadas pela Procuradoria-Geral da República e determinou que todos os envolvidos, inclusive Moraes e Mendonça, se manifestem em até cinco dias úteis.
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