Moraes ameaça prender Aldo Rebelo por desacato
"Se o senhor não se comportar, vai ser preso por desacato", disse ao ex-ministro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ameaçou prender por desacato o ex-ministro Aldo Rebelo, durante depoimento como testemunha do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, um dos réus da ação penal sobre tentativa de golpe de Estado.
“Se o senhor não se comportar, o senhor vai preso por desacato”, disse Moraes.
A discussão teve início quando Rebelo comentava uma possível fala de Garnier sobre colocar suas tropas “à disposição” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o ex-ministro, a língua portuguesa admite forças de expressão, portanto, o comentário do ex-comandante da Marinha não deveria ser interpretado de maneira literal.
“É preciso levar em conta que, na língua portuguesa, nós conhecemos aquilo que se usa muitas vezes, que é a força da expressão. A força da extração nunca pode ser tomada literalmente. Então, quando alguém diz ‘estou à disposição’, a expressão não deve ser lida literalmente”, disse Rebelo.
Moraes retrucou o ex-ministro dizendo que ele “não tem condições de avaliar a língua portuguesa naquele momento”.
“Atenha-se aos fatos”, completou.
Rebelo disse que a “apreciação da língua portuguesa” era própria e não admitiria “censura”.
Moraes, então, ameaçou prender o ex-ministro por desacato.
STF ouve testemunhas
A fase de depoimentos no processo contra o núcleo central da trama golpista começou na última segunda-feira.
Ao todo, 82 testemunhas devem ser ouvidas até 2 de junho. As oitivas, conduzidas por juízes auxiliares do gabinete de Alexandre de Moraes, são realizadas por videoconferência e acompanhadas pelas defesas dos réus, representantes da PGR e ministros do STF.
Réus como Jair Bolsonaro e o general Walter Braga Netto acompanham as sessões por videoconferência. Bolsonaro assiste de seu gabinete no PL, em Brasília, enquanto Braga Netto participa da prisão especial em que está detido, em uma unidade militar no Rio de Janeiro.
Entre os réus estão, além de Bolsonaro e Garnier, o deputado Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-chefe do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
O grupo responde por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. As penas, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Leia mais: Moraes decide manter depoimento de comandante da Marinha
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Comentários (6)
Maggie J
26.05.2025 10:22De censura o Moraes entende: a revista Crusoé que o diga.
Marian
23.05.2025 22:41Eu também Aldo Rebelo, sou contrária a censura. Gostei!
Fabio B
23.05.2025 16:34Não é o Xandão que é autoritário, é a corte inteira, pois ele faz o que faz porque tem o aval dos seus pares. O mais humilhante é que a única esperança é uma interferência externa. Se tivéssemos um Senado minimamente capaz, honesto e sem o rabo preso, esses excessos seriam facilmente contidos. Num passado não muito distante, o STF não tinha tanta moral. Lembro até de um episodio envolvendo o corrupto Renan Calheiros, quando o STF tentou interferir na eleição da presidência do Senado e foi humilhantemente ignorado. Foi a partir do Governo covarde e entreguista do Bolsonaro que o STF cresceu dessa forma. Valeu mito!
LuÃs Silviano Marka
23.05.2025 16:27Eu só espero pelo dia que o Allan dos Santos for entrevistar o cab... ops, Alexandre de Moraes na cadeia.
Denise Pereira da Silva
23.05.2025 16:20O ego de Alexandre de Moraes é tão inflado que não admite outra interpretação além da dele, seja do que for. Uma pessoa assim, que detém tanto poder nas mãos, pode sair do controle a qualquer momento, pois se acha um “iluminado”.
FRANCISCO
23.05.2025 16:14Prende e arrebenta todo mundo, não pode ser contrariado, a testemunha que dizer o que quer ouvir.