"Momento não é de judicialização, mas de negociar", diz procurador-geral do Trabalho

28.09.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista
“Momento não é de judicialização, mas de negociar”, diz procurador-geral do Trabalho
avatar
Gabriela Coelho
6 minutos de leitura 23.01.2022 11:00 comentários
Brasil

“Momento não é de judicialização, mas de negociar”, diz procurador-geral do Trabalho

Quase dois anos do início da pandemia de Covid no Brasil, e é fato que as relações de trabalho foram atingidas e modificadas...

avatar
Gabriela Coelho
6 minutos de leitura 23.01.2022 11:00 comentários 0
“Momento não é de judicialização, mas de negociar”, diz procurador-geral do Trabalho
Foto: Arquivo

Quase dois anos do início da pandemia de Covid no Brasil, e é fato que as relações de trabalho foram atingidas e modificadas.

Em entrevista a O Antagonista, o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), José de Lima Ramos Pereira (foto), diz que a instituição valorizou e priorizou denúncias vinculadas à pandemia, em questões que nunca foram enfrentadas.

Segundo Pereira, o “momento não é de judicialização, mas de negociar, mediar, buscar onde está o problema”. “Quando não tem jeito, tem que ajuizar a judicialização”, emendou.

Leia a íntegra da entrevista:

Como tem sido o trabalho da Procuradoria nesta pandemia?

As ações, desde o início da pandemia, aumentaram, o volume aumentou consideravelmente. Tivemos que nos adaptar para fazer uma atuação otimizada. Um dos princípios da administração pública é a eficiência. E a gente teve que valorizar e priorizar denúncias vinculadas à Covid, em questões que nunca enfrentamos. Tivemos que fazer toda essa mudança de procedimentos e cumprimos metas. Houve a criação de um grupo de trabalho somente sobre o Covid e fazendo notas técnicas quando ninguém sabia o que fazer. Um exemplo é o das mulheres grávidas, que foram afastadas. Isso demonstra que fizemos o certo. O Supremo deu a decisão do passaporte vacinal e mostra que estamos no lugar certo. A questão da retomada é um outro desafio, que é outra situação de desafio. Cidades fecharam, economia teve que se ajustar, segmentos cresceram, principalmente a questão de vendas online, teletrabalho. O mundo do trabalho se adaptou à nova realidade e a Justiça do Trabalho não deixou de atuar. O MP do Trabalho teve que se adaptar e hoje estamos trabalhando para a retomada. As empresas precisam trabalhar, ninguém quer que empresas fechem as portas, é uma imaginação muito enganosa ou enganada a de que o MP é contra o empregador. Nós queremos que os empregadores estejam bem para que haja mais trabalho e rodar a economia. Não há a necessidade da precarização, as empresas têm de trabalhar vendo a legislação. É utopia a gente achar que vai resolver tudo só com normas técnicas e recomendações, mas a gente tem que atuar. O momento não é de judicialização, mas de negociar, mediar, buscar onde está o problema. Quando não tem jeito, tem que ajuizar a judicialização. 

O avanço da Ômicron fez com que algumas empresas voltassem ao homeoffice e outras não. Como o senhor avalia a postura de empregadores e empregados?

O que acontece no nosso país? Há um radicalismo muito grande no qual as pessoas confundem entendimento pessoal com profissional. Não significa que a pessoa que não concorde com a vacina ela tenha que ter atos dessa natureza. O empregador pode não concordar com a vacina, mas ele tem que exigir a comprovação. Isso é independente de ser a favor ou não da vacina. O empregador tem responsabilidades. Qualquer situação ocorrida dentro do estabelecimento, ele é o responsável. A morte do empregado é responsabilidade do empregador, independente da situação. Uma coisa é ele pensar ser contra ou a a favor de algo, outra é adotar condutas. A postura do empregador é exigir passaporte, afastar pessoas contaminadas para preservar o ambiente do trabalho. Não adianta se fechar em casa e ir para o trabalho dar uma festa. É importante que empresas cumpram medidas e restrições. Isso é passageiro, temos um vírus mais transmissível, mas menos letal. Temos que exigir cautelas para evitar o mal maior. O mal maior é fechar tudo e a empresa parar. As companhias aéreas estão cancelando voos, por exemplo. 

O MPT está monitorando os impactos da variante Ômicron em diversos setores. A regra de isolamento deve ser igual para os trabalhadores de todos os segmentos? E em caso de serviços essenciais?

Igual. A doença atinge o humano, não o cargo. Todas as atividades humanas necessitam serem preservadas e protegidas. O principal risco é a contaminação em massa. Em todo tipo de trabalho deve ser preservado o isolamento. 

Sobre as eleições de 2022, o PT tem falado em revogar a reforma trabalhista. O senhor acredita em revogação?

Eu diria que não é revogar, mas debater para ajustá-la. Não concordo em revogar por revogar. Revogar toda uma reforma depois de cinco anos? Há coisas que temos que fazer com razoabilidade e debater. O que faltou na reforma: debate dos atores da sociedade sobre isso, empregadores, empregados. Isso poderia ter sido feito e é importante.  A reforma veio com vários pontos de justificativas de geração de emprego, diminuir a informalidade, melhorar as condições de trabalho em 2017. Estamos em 2022 e nada melhorou. Nós temos a verificação que a reforma não entregou o que propos. O desemprego aumentou, a informalidade aumentou. Tudo isso veio em consequência dessa flexibilização e alguns pontos considerados pelo Supremo como inconstitucionais. 

Como o senhor avalia o auxílio emergencial na pandemia e o uso político dele?

O Estado tem o dever de ajudar e fazer sua parte ao cidadão que não tem condições. O programa, sendo bom, não importa quem fez, mas que ele seja colocado em prática. A questão política é subjetiva. O que importa é que hoje precisa ter um programa social para pessoas que precisam retomar. O mundo inteiro faz esse benefício e a gente não pode deixar de fazer por questão política. 

O MP do Trabalho está atento às crises, sejam naturais ou provocadas. No nosso limite, queremos buscar com que as empresas e órgãos cumpram as leis. Em momentos de crises, é bom as instituições se articularem para evitar danos como o de Brumadinho, enchentes, Covid. Infelizmente, as crises não são esporádicas. Sempre há algo que temos que trabalhar. Temos que preservar empresas e trabalhador. Temos que incentivar a vacinação, que as pessoas fiquem em casa quando estão contaminadas. É importantíssimo o autoteste, por exemplo. A Sociedade de Infectologia já falou sobre o isolamento e cada um deve ter a sua responsabilidade e arcar com ela. 

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Kassio recorre a Fachin para pôr freio em Dino e Gilmar

Kassio recorre a Fachin para pôr freio em Dino e Gilmar
2

Nexus indica estabilidade após cartadas desesperadas de Lula

Nexus indica estabilidade após cartadas desesperadas de Lula
3

Lula usa fake news em entrevista, é confrontado e desconversa

Lula usa fake news em entrevista, é confrontado e desconversa
4

Inquérito das fake news termina com um suspiro de Dino

Inquérito das fake news termina com um suspiro de Dino
5

Salles retira candidatura ao Senado por SP

Salles retira candidatura ao Senado por SP
6

Quaest: Lula e Flávio voltam a ficar numericamente empatados no 2º turno

Quaest: Lula e Flávio voltam a ficar numericamente empatados no 2º turno
7

Carlos Bolsonaro denuncia voto casado do PT com “candidato didireita” em SC

Carlos Bolsonaro denuncia voto casado do PT com “candidato didireita” em SC
8

Lula aumenta Bolsa Família, mas perde eleitores do benefício

Lula aumenta Bolsa Família, mas perde eleitores do benefício
9

“Se me deu, já bebi”, diz Lula sobre uísque presenteado por Vorcaro

“Se me deu, já bebi”, diz Lula sobre uísque presenteado por Vorcaro
10

Tebet reage à desistência de Salles: “Aderiu ao Centrão”

Tebet reage à desistência de Salles: “Aderiu ao Centrão”
1

Crusoé: O vale-tudo do presidente sem nenhum caráter

Crusoé: O vale-tudo do presidente sem nenhum caráter
2

"Se me deu, já bebi", diz Lula sobre uísque presenteado por Vorcaro

"Se me deu, já bebi", diz Lula sobre uísque presenteado por Vorcaro
3

Papo Antagonista: Esquerda se converte ao catolicismo para salvar Lula

Papo Antagonista: Esquerda se converte ao catolicismo para salvar Lula
4

Kassio recorre a Fachin para pôr freio em Dino e Gilmar

Kassio recorre a Fachin para pôr freio em Dino e Gilmar
5

"Quando o cara coloca toga, vira Deus", diz Lula sobre ministros do STF

"Quando o cara coloca toga, vira Deus", diz Lula sobre ministros do STF
6

Lula usa fake news em entrevista, é confrontado e desconversa

Lula usa fake news em entrevista, é confrontado e desconversa
7

Lula aumenta Bolsa Família, mas perde eleitores do benefício

Lula aumenta Bolsa Família, mas perde eleitores do benefício
8

Dino leva ao plenário decisão sobre fake news de Nossa Senhora

Dino leva ao plenário decisão sobre fake news de Nossa Senhora
9

Inquérito das fake news termina com um suspiro de Dino

Inquérito das fake news termina com um suspiro de Dino
10

Gilmar reforça pedido para suspender julgamento do caso Master até mapear ministros

Gilmar reforça pedido para suspender julgamento do caso Master até mapear ministros
1

Idosa que mobilizou debate na Espanha poderá voltar para casa

Idosa que mobilizou debate na Espanha poderá voltar para casa
2

Renan Santos vai judicializar debate da TV Globo?

Renan Santos vai judicializar debate da TV Globo?
3

Zema descarta desistir e mantém candidatura ao Planalto

Zema descarta desistir e mantém candidatura ao Planalto
4

‘Eles preferem que vá o Flávio’, diz Renan Santos sobre debate da Globo

‘Eles preferem que vá o Flávio’, diz Renan Santos sobre debate da Globo
5

Governo cobra R$ 1 bilhão de casas de apostas por danos causados pelo jogo

Governo cobra R$ 1 bilhão de casas de apostas por danos causados pelo jogo
6

Cólica menstrual: quando a dor pode ser sinal de doença?

Cólica menstrual: quando a dor pode ser sinal de doença?
7

Nunes Marques alerta Fachin sobre risco de “captura institucional” do TSE

Nunes Marques alerta Fachin sobre risco de “captura institucional” do TSE
8

Bullying na adolescência pode deixar marcas emocionais que persistem na vida adulta

Bullying na adolescência pode deixar marcas emocionais que persistem na vida adulta
9

MPE pede suspensão de perfil de funcionário da Secom por fake news

MPE pede suspensão de perfil de funcionário da Secom por fake news
10

Nem todo ovo marrom é caipira: saiba o que está por trás dessa denominação

Nem todo ovo marrom é caipira: saiba o que está por trás dessa denominação

Tags relacionadas

CLT do trabalho trabalho variante
< Notícia Anterior

“Bolsonaro insignificante”

23.01.2022 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Governadores pedem prorrogação no prazo de leitos extras

23.01.2022 00:00 4 minutos de leitura
avatar

Gabriela Coelho

É jornalista formada pelo UniCEUB, em Brasília. Tem especialização em gestão de crise e redes sociais. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Globo, Revista Consultor Jurídico e CNN Brasil. Conhece o mundo do Judiciário há alguns anos, desde quando ainda era estagiária do TSE. Gosta dessa adrenalina jurídica entre pedidos e decisões. Brasiliense, cobriu as eleições nacionais de 2010, 2014 e 2018 e municipais de 2012 e 2020.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Início

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.