Mineradores bolivianos exigem queda do presidente Paz
Manifestação em La Paz termina em confronto com uso de explosivos e gás lacrimogêneo
Trabalhadores do setor de mineração tomaram as ruas da capital da Bolívia nesta quinta-feira, 14, em protesto que resultou em violência às proximidades do Palácio do Governo. O ato faz parte de uma onda de mobilizações que reúne sindicatos, agricultores e transportadores contra o presidente Rodrigo Paz, empossado há seis meses, em meio a uma crise econômica marcada pela escassez de combustível e de moeda estrangeira.
Confronto no centro da capital
Ao tentarem acessar a praça Murillo, o coração cívico de La Paz, os manifestantes lançaram o que aparentavam ser explosivos contra as forças de segurança. A polícia respondeu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Segundo a Reuters, testemunhas relataram explosões durante os embates nas proximidades da sede do governo.
Paralelamente, uma delegação de cerca de 20 mineradores foi recebida no interior do palácio presidencial. O presidente Paz convocou ministros para reuniões de emergência. O ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, declarou que o governo estava “aberto ao diálogo” ao entrar no edifício.
Demandas que vão além do setor
Os mineradores reivindicam maior acesso a insumos de trabalho, revisão de contratos e regulamentação específica para o setor. No entanto, as exigências já ultrapassam pautas setoriais: parte dos manifestantes pede a saída de Paz da presidência.
A Central Operária Boliviana (COB), maior central sindical do país, formalizou essa posição. Seu principal representante, Mario Argollo, foi direto: “Já se deixou de lado a questão das pautas e das reivindicações setoriais. Aqui há um pedido único por parte do povo mobilizado, que é o afastamento e a renúncia do presidente”.
Crise que antecede o governo atual
Os bloqueios de estradas montados nos últimos dias geraram desabastecimento de alimentos, medicamentos e oxigênio hospitalar, segundo a Reuters, que registrou milhares de caminhões imobilizados nas rodovias.
A crise energética e cambial, porém, não é atribuída exclusivamente à gestão atual — ela precede a posse de Paz, eleito com promessas de reformas econômicas liberalizantes após vencer com folga no ano passado.
O governo aponta o ex-ditador Evo Morales como um dos responsáveis por inflamar os protestos. Com mandado de prisão em aberto, Morales — cujo julgamento por tráfico de menores foi suspenso na semana passada — se manifestou pelo X: “Enquanto as demandas estruturais como combustível, alimentos e inflação não forem atendidas, a revolta não será interrompida”.
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