“Meu programa era ao vivo e agora fui censurado”, diz Ratinho em live de Flávio Bolsonaro
Apresentador criticou a autocensura, defendeu mudanças no Bolsa Família e afirmou que Jair Bolsonaro foi injustiçado
O apresentador de televisão Ratinho afirmou ter sido censurado e disse que seu programa deixou de ser exibido majoritariamente ao vivo para evitar declarações que possam gerar problemas. As declarações foram feitas durante a Superlive 22, transmitida pelo canal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Agora eu tô sendo censurado. O meu programa antigamente era todo ao vivo. Hoje, o meu programa é gravado. Só tenho dois programas ao vivo e o restante é gravado para que eu não fale alguma coisa”, declarou.
Ratinho também criticou o que considera restrições à liberdade de expressão e ao humor. Segundo ele, humoristas enfrentam limitações para fazer piadas, enquanto a liberdade para expressar opiniões seria diferente conforme o posicionamento político.
“Um lado não pode, o outro pode tudo”, afirmou.
O apresentador também relatou que a autocensura passou a fazer parte da rotina de quem trabalha com comunicação. Para ilustrar o problema, comparou a situação à de alguém que escreve uma mensagem nas redes sociais e desiste de publicá-la por receio das consequências.
“Você fica pensando tudo antes de falar. ‘Esse tema não dá, esse tema não encaixa, esse tema não posso mais’. Isso é um absurdo”, disse.
Bolsa Família
Durante a transmissão, Ratinho também defendeu que beneficiários do Bolsa Família possam trabalhar com carteira assinada sem perder automaticamente o benefício. Segundo o apresentador, o receio de deixar de receber o auxílio pode desestimular a busca por emprego formal.
Ele afirmou ter conversado com Flávio Bolsonaro sobre o tema e disse que o senador compartilha desse entendimento.
“Quem recebe o Bolsa Família não vai perder o Bolsa Família. […] Quem recebe o Bolsa Família vai poder trabalhar registrado”, declarou.
Para Ratinho, permitir a conciliação entre o emprego formal e o benefício, nos casos em que houver direito ao auxílio, estimularia a atividade econômica. Ele argumentou que o trabalhador com carteira assinada passa a ter renda e poder de compra maiores, movimentando a economia.
“É uma burrice não fazer isso. É um governo burro quando não faz isso”, afirmou.
As regras do programa, porém, já preveem mecanismos para situações em que a renda familiar aumenta. A chamada Regra de Proteção permite que famílias que ultrapassem o limite de renda para receber o benefício integral continuem recebendo parte do valor por determinado período, desde que cumpram os critérios estabelecidos. Portanto, a possibilidade de trabalhar formalmente sem perder imediatamente o auxílio não é uma proposta inteiramente nova.
“Bolsonaro foi injustiçado”
Ratinho também saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem classificou como injustiçado. Ao comentar os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, criticou a interpretação de que houve uma tentativa de tomada do poder e questionou a atuação de parte da imprensa na cobertura dos episódios.
“Pensa num cara injustiçado, né? Foi injustiçado, seu Bolsonaro”, afirmou.
O apresentador também disse que o ex-presidente teria sido alvo de acusações que, em sua avaliação, não corresponderiam à realidade. Ao mencionar as contas públicas, declarou que não teriam encontrado irregularidades nas contas do governo Bolsonaro.
“Eles não conseguiram achar um erro do Bolsonaro nas contas públicas, nenhum erro. Então, pegaram pro outro lado”, disse.
A declaração sobre as contas públicas representa a avaliação de Ratinho. Ela não deve ser confundida com uma conclusão técnica sobre a gestão fiscal do governo, que envolve diferentes indicadores, auditorias e análises dos órgãos de controle.
Ao longo da transmissão, o apresentador voltou a criticar o que considera limitações à liberdade de expressão e afirmou que a necessidade de avaliar previamente o que pode ser dito representa um problema para jornalistas e profissionais da comunicação.
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