Metade é contra exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas
Pesquisa CNT/MDA indicou que 49,7% dos brasileiros rejeitam a ideia defendida por Lula
Pesquisa CNT/MDA registrada nesta terça-feira, 25, apontou que metade da população brasileira é contra a ideia defendida pelo presidente Lula (PT) sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas.
De acordo com o levantamento, 49,7% foram contrários a ações na região e 16,5% se disseram indiferentes sobre o assunto.
A avaliação positiva para a exploração de petróleo foi de 20,8%, enquanto 13% não soube responder.
O instituto ouviu 2.002 pessoas de 19 a 23 de fevereiro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Motivos
Entre os 49,7% dos entrevistados contrários à exploração, a maior parte entendeu que a região é de grande importância ambiental e deve ser preservada.
Para 25,6%, o evento pode gerar riscos de desastres ambientais, entre os quais o vazamento de óleo.
Entre os defensores (20,8%) das perfurações, 37,2% acreditam que as ações do governo na região podem gerar mais empregos e movimentar as economias local e nacional.
Lula x Ibama
Neste mês, Lula reclamou do “lenga-lenga” do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para autorizar a Petrobras a realizar estudos de viabilidade técnica para a exploração de petróleo na foz do Amazonas.
“Se depois a gente vai explorar é outra discussão. O que a gente não pode ficar é nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo parecendo que é um órgão contra o governo”, disse o petista em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá.
Servidores do instituto reagiram às declarações do petista, as quais classificaram como “pressão política”.
“As declarações que desqualificam o Ibama e seus servidores desrespeitam o papel fundamental da instituição na defesa do interesse público, que é seu objetivo final, independente do governo da vez“, diz trecho da nota oficial.
Em outra parte do comunicado, os servidores dizem ser “inadmissível qualquer tipo de pressão política” que interfira no trabalho técnico do Ibama.
Impasse sobre a exploração da foz do Amazonas
Em maio de 2023, o Ibama negou à Petrobras autorização para realizar perfurações no litoral do Amapá, comparando o projeto ao caso da usina hidrelétrica de Belo Monte. A Petrobras recorreu.
“Não restam dúvidas de que foram oferecidas todas as oportunidades à Petrobras para sanar pontos críticos de seu projeto, mas que este ainda apresenta inconsistências preocupantes para a operação segura em nova fronteira exploratória de alta vulnerabilidade socioambiental”, apontou o relatório do órgão.
A matéria é motivo de embate entre os ministros Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente, e o ministro Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, responsável pela Petrobras.
A exploração da foz do Amazonas também é defendida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pelo líder do governo no Congresso, senador Radolfe Rodrigues (PT-AP).
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