Meta presta esclarecimentos à CPI sobre atuação do crime organizado online
Executiva da empresa é questionada sobre uso das plataformas para golpes, recrutamento e fraudes por facções criminosas
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado ouve nesta terça-feira, 24, a diretora de Políticas Econômicas da Meta para a América Latina, Yana Dumaresq Sobral Alves. A oitiva faz parte das investigações sobre o uso de redes sociais por organizações criminosas para comunicação, recrutamento, aplicação de golpes e disseminação de conteúdos ilícitos.
A Meta é responsável por plataformas amplamente utilizadas no Brasil, como Facebook, Instagram e WhatsApp. Na abertura da sessão, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirma que a comissão pretende apurar “os tentáculos do crime que corroem o presente e ameaçam o futuro de milhões de brasileiros”. Segundo ele, há indícios de que as plataformas digitais vêm sendo usadas para fraudes e manutenção de redes ilícitas.“Temos indícios claros de que essas plataformas também estão sendo exploradas para enganar, iludir, ocultar e fraudar”, disse.
Em depoimento, Yana Dumaresq Sobral Alves afirmou que o combate a golpes é prioridade da empresa. “Prevenir golpes é uma prioridade máxima para a Meta e temos tido avanços importantes”, declara. Segundo a executiva, a companhia adota uma abordagem que inclui ferramentas automatizadas de detecção, remoção de conteúdos enganosos, desarticulação de redes criminosas e cooperação com autoridades e outras empresas do setor.
Ela afirma ainda que golpes prejudicam usuários, anunciantes e o próprio funcionamento das plataformas. “Nossos usuários não querem esse conteúdo, anunciantes legítimos não querem esse conteúdo e nós também não queremos”, diz.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a investigação busca compreender a dimensão econômica do crime organizado no ambiente digital e não apenas a violência tradicional. “Quando a gente fala de crime organizado, não pode limitar essa fala ao criminoso violento na favela. Cada vez mais você percebe um avanço da criminalidade para segmentos mais lucrativos. O bandido não necessariamente quer matar as pessoas, ele quer dinheiro e nada dá mais acesso a vítimas do que a rede social”, disse.
Retomada da Agenda
A audiência ocorre após um período de esvaziamento dos trabalhos da comissão provocado por cancelamentos e desistências de convidados. Nas últimas semanas, reuniões foram suspensas e oitivas consideradas estratégicas acabaram adiadas, comprometendo o cronograma da CPI. Entre os casos recentes, a comissão cancelou sessões inteiras e retirou da pauta depoimentos de governadores e autoridades estaduais, sem definição imediata de novas datas.
Leia mais em: Retrospectiva: o dia de instalação da CPI do crime organizado no Senado
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