Mesmo com alertas, Raquel Lyra insiste em nome investigado pela PF
As suspeitas envolviam desvio de emendas parlamentares, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro a partir da Prefeitura de Petrolina, governada por ele de 2017 a 2022
Nem mesmo alertas emitidos à governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), sobre investigações que podem vir a atingir o ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil) no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), foram determinantes para que a chefe de Poder Executivo abrisse espaço para o deputado Eduardo da Fonte (PP) em sua composição para as eleições deste ano.
A governadora vetou o líder e presidente da Federação na sua chapa e disse, em recente encontro com a bancada do PP que prefere o nome do ex-prefeito de Petrolina. Até o começo do ano, Coelho era aliado de João Campos (PSB), adversário de Raquel no que promete ser uma das disputas mais acirradas dessas eleições.
Em 25 de fevereiro deste ano, agentes federais de flagraram a Operação Vassalos. Entre os alvos da investigação, estavam o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Filho – respectivamente pai e irmão de Miguel.
As suspeitas envolviam desvio de emendas parlamentares, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro a partir da Prefeitura de Petrolina, governada por ele de 2017 a 2022. Na residência de um primo de Miguel, os policiais encontraram um cooler abastecido com 1,2 milhão de reais em dinheiro.
Os agentes investigaram quase 200 milhões de reais em convênios para pavimentação em Petrolina. Desse valor, 120 milhões de reais vieram a partir de emendas e TEDs atribuídos a Fernando Bezerra e Fernando Filho. Também havia suspeita quanto a 190 milhões de reais empenhados pelo município para a empresa Liga Engenharia durante a gestão de Miguel. Desse valor, pelo menos 68,5 milhões de reais vieram das ações parlamentares do pai e do irmão.
Por fim, ainda há suspeitas quanto a uma empresa que recebeu 5,5 milhões de reais, frutos de emendas de Fernando Filho, cuja esposa é a única sócia da empresa em questão.
A avaliação de aliados da campanha de Raquel Lyra é que uma composição de palanque com Miguel Coelho possa atingir diretamente a governadora, hoje líder das pesquisas de intenção de votos no Estado.
Na ocasião da Operação Vassalos, Miguel sumiu dos holofotes e foi praticamente descartado da campanha. Só depois voltou a ocupar espaço da mídia. Na época, ele ainda se fazia aliado do ex-prefeito João Campos (PSB), futuro adversário de Raquel nas urnas.
O socialista tem uma relação muito próxima com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O receio dos aliados de Raquel é que o STF possa determinar novas operações policiais em Petrolina. E, automaticamente, Campos associar diretamente essas operações à governadora.
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