Mensagens indicam atuação fraudulenta de ex-presidente do BRB em favor do Master
Relatório interno enviado à PF aponta que Paulo Henrique Costa direcionou aportes e teria recebido US$ 146 milhões em propina
Conversas de WhatsApp envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa mostram que ele atuou de forma fraudulenta junto aos seus subordinados para favorecer os interesses do Banco Master, segundo mensagens divulgadas pelo Estadão.
A conclusão integra um relatório de auditoria externa contratado pelo BRB e encaminhado à Polícia Federal.
No último dia 16, Costa foi preso pela PF. Ele é suspeito de ter recebido US$ 146 milhões em propina, pagos por Daniel Vorcaro, em um esquema ligado à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Aumento de capital
Os diálogos tratam de um processo de aumento de capital do BRB realizado em maio de 2024, que captou R$ 290 milhões de investidores privados por meio de aportes feitos por fundos ligados a Vorcaro e à gestora Reag Investimentos.
Esses movimentos levantaram suspeitas de fraude e passaram a ser investigados pela Polícia Federal.
A corporação apura se os processos de aumento de capital, que somaram cerca de R$ 1 bilhão, foram usados para dar lastro à aquisição de carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Banco Master.
Ao fim das operações, acionistas com vínculos com o Master passaram a deter 23,5% de participação no BRB.
Mensagens
As investigações indicam que Costa definiu, por conta própria, quais fundos participariam dos aportes, todos ligados ao Banco Master, sem transparência ou critérios objetivos.
Nas mensagens divulgadas pelo Estadão, ele orienta um subordinado sobre a divisão dos investimentos: “Vai dividir em três veículos. Por favor, faça uma nova de 250 mm (milhões)”, escreveu.
Pelas regras, fundos ligados ao Master não poderiam aportar diretamente no BRB, já que o aumento de capital era restrito aos acionistas do banco.
Os diálogos foram obtidos pela auditoria externa contratada pela atual gestão do BRB e compartilhados com a Polícia Federal.
“As comunicações internas registram que os nomes dos fundos e os quantitativos de ações a subscrever foram informados diretamente pelo então presidente do BRB à equipe técnica. Essa centralização decisória, anômala para operações dessa envergadura, sugere coordenação prévia entre os veículos subscritores e reduz a transparência típica das alocações em aumentos privados”, aponta o relatório.
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