Mendonça rebate Gilmar e acusa “palanque ou picadeiro” no STF

01.11.2026

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Mendonça rebate Gilmar e acusa “palanque ou picadeiro” no STF
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 17.09.2026 09:46 comentários
Brasil

Mendonça rebate Gilmar e acusa “palanque ou picadeiro” no STF

Gabinete do ministro critica “verborragia”, diz que relator não ameaçou pares e cobra “liturgia e decoro” após ataques do decano

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6 minutos de leitura 17.09.2026 09:46 comentários 1
Mendonça rebate Gilmar e acusa “palanque ou picadeiro” no STF
Foto: Gustavo Moreno/STF

O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu nesta quinta-feira, 17, às críticas feitas por Gilmar Mendes após o início do julgamento do caso Moraes-Vorcaro.

Em nota, embora não cite nominalmente o decano, o gabinete afirma que Mendonça não transformou o plenário em “palanque ou picadeiro, vociferando aos berros”. Além disso, acusa uma “tentativa de constrangimento dirigido a pares” e critica o que chama de preocupação seletiva com a exposição de ministros.

A nota também invoca a Lei Orgânica da Magistratura Nacional para lembrar que magistrados não devem se manifestar publicamente sobre processos pendentes e afirma ser “no mínimo curioso” que a crítica à publicidade dos autos parta de quem antes teria defendido divulgação irrestrita da investigação.

Mais cedo, nesta terça, Gilmar Mendes publicou um texto nas redes sociais para defender seu ex-sócio Paulo Gonet, procurador-geral da República, e atacar mais uma vez André Mendonça. Ele voltou a chamar o colega de “pixuleco eleitoral”.

Gilmar repetiu os ataques que levaram a uma reação de Mendonça e serviram de mote para o ministro Flávio Dino pedir vista de uma questão preliminar na sessão convocada para tratar do processo contendo o relatório da Polícia Federal (PF) com as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a Moraes.

“Diante de manifestação publicada em rede social por magistrado a respeito de questão relativa a processo em curso nesta Corte, o gabinete do ministro André Mendonça registra o seguinte”, inicia a nota do gabinete de Mendonça em reação.

“O artigo 36, inciso III, da Lei Complementar 35/1979, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, veda ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, bem como juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas”.

A manifestação prossegue: “Nada obstante, cabe um esclarecimento sobre o ponto central da manifestação. A pretensão de levantamento do sigilo de todo e qualquer procedimento, sem exceção, não partiu do relator. Veio de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos. O que o relator fez foi levantar o sigilo de procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites do que lhe competia decidir. É no mínimo curioso que a crítica venha de quem sempre pleiteou publicidade irrestrita, da integralidade de toda a investigação”.

Nas palavras do gabinete, “o relator jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública, nem se valeu de linguajar impróprio para que alguém se retirasse de julgamento”.

Confira a íntegra da nota:

Diante de manifestação publicada em rede social por magistrado a respeito de questão relativa a processo em curso nesta Corte, o gabinete do ministro André Mendonça registra o seguinte.

O art. 36, inciso III, da Lei Complementar 35/1979, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, veda ao magistrado manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, bem como juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas.

Nada obstante, cabe um esclarecimento sobre o ponto central da manifestação. A pretensão de levantamento do sigilo de todo e qualquer procedimento, sem exceção, não partiu do relator. Veio de quem hoje se diz indignado com a publicidade dos autos. O que o relator fez foi levantar o sigilo de procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites do que lhe competia decidir. É no mínimo curioso que a crítica venha de quem sempre pleiteou publicidade irrestrita, da integralidade de toda a investigação.

Tampouco houve, em qualquer momento, complacência com vazamentos. Ao contrário, determinou-se a apuração de toda divulgação indevida ocorrida no curso da investigação, inclusive com a deflagração de fase específica diante da suspeita de participação de servidor da Polícia Federal.

Chama a atenção, ainda, que a preocupação com a exposição alheia se manifeste de forma seletiva, logo após a requisição de acesso ao aparelho celular de investigado e a divulgação, na imprensa, de conversas de toda ordem que constrangem, coincidentemente, apenas ministros de entendimento diverso. Se há uso indevido da publicidade nesta Corte, ele não está na decisão publicada e fundamentada nos autos, sujeita à impugnação e escrutínio pelas vias ordinárias, mas na tentativa de constrangimento dirigido a pares, com insinuações de que determinados conteúdos poderão ou não vir a público conforme o rumo de certos julgamentos.

O relator jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública, nem se valeu de linguajar impróprio para que alguém se retirasse de julgamento. Tampouco transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável. A divergência é legítima e própria de um tribunal colegiado. Ilegítima é a tentativa de constranger o julgador.

Episódios como esse apenas demonstram a urgência na aprovação de um código de ética no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Um código que discipline de modo próprio a postura esperada do magistrado ao se pronunciar em qualquer ambiente, dentro e fora da Corte, inclusive no trato com os pares.

Quando se invoca a necessidade de um Judiciário que transmita segurança à população, convém lembrar que a verborragia produz efeito exatamente oposto.

O momento reclama serenidade, respeito às instituições e apego às normas da República, à liturgia e ao decoro. O respeito não é somente aos pares, é sobretudo à instituição, afinal, como bem disse o Ministro Presidente, o Supremo Tribunal Federal não pertence a nenhum de seus membros.

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Comentários (1)

Angelo Sanchez

19.09.2026 15:06

Um Supremo que persegue opositores do governo indiscriminadamente penalizando no mesmo baú, os baderneiros e os que se manifestaram pacificamente. Um STF que tem lado partidário afronta o equilibrio judicial e a Constituição, atestando que não vivemos num regime democrático.


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