Mendonça manda apreender passaporte de publicitário ligado a Vorcaro
PF apontou risco de fuga de Thiago Miranda, suspeito de coordenar ataques ao BC e tentativa de intimidação contra a jornalista Malu Gaspar
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado, 11, a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, apontado como colaborador direto de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga.
Segundo os investigadores, Miranda tinha viagem marcada para Miami na segunda-feira, 13. Ainda de acordo com a PF, ele tem trocado aparelhos celulares com frequência e encerrou as atividades de sua agência, além de ter cancelado uma viagem ao Rio na véspera da operação de busca e apreensão.
Thiago Miranda é investigado por suspeita de coordenar uma rede de influenciadores para desgastar a credibilidade do Banco Central durante as negociações envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB.
A PF afirma que a atuação teria o aval de Daniel Vorcaro.
As investigações também apontam tentativas de intimidar jornalistas e obter informações privadas.
Malu Gaspar
Um dos alvos da tentativa de intimidação foi a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo.
As apurações indicam que os envolvidos recorreram a uma plataforma especializada na comercialização não autorizada de dados, incluindo informações financeiras, para reunir material sobre a vida da jornalista. A finalidade, conforme relatado pela corporação policial, era localizar “elementos potencialmente desabonadores” contra Malu Gaspar.
De acordo com o texto da decisão, Miranda e Vorcaro tinham acesso a dados sobre familiares e bens da colunista. A mesma metodologia teria sido aplicada contra outros alvos considerados entraves pelos investigados, entre eles o executivo do Itaú, banco concorrente do Master.
Mendonça afirmou que “os elementos analisados apontam que Thiago Miranda desempenhava papel central nessas iniciativas, sendo o principal responsável por realizar pesquisas e levantamentos acerca da vida privada da jornalista em questão”.
O ministro acrescentou que, “ainda de acordo com as conversas analisadas, Thiago Miranda costumava informar o andamento das buscas, relatar sobre a análise de processos judiciais antigos e coordenar a mobilização de equipe dedicada a localizar informações que pudessem ser consideradas sensíveis ou comprometedoras para a jornalista”.
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