MBL rompe com Tarcísio e deixa vice-liderança na Alesp
Guto Zacarias, do União Brasil, anunciou a saída na quarta, 20, após discordar de proposta apoiada pelo governo
Movimento Brasil Livre rompeu com o governo de São Paulo na quarta, 20, e deixou a vice-liderança na Alesp.
O anúncio foi feito em plenário pelo deputado estadual Guto Zacarias, do União Brasil. Segundo ele, a decisão decorre da discordância com o apoio do governo a uma proposta de reestruturação institucional que amplia cargos e ajusta gratificações na Defensoria Pública.
De acordo com a versão protocolada na Alesp, o Projeto de Lei Complementar 20 de 2025 cria 140 cargos de defensor público, com provimento escalonado até 2027, e 200 cargos de apoio técnico e administrativo.
A estimativa oficial de impacto é de 36,9 milhões de reais em 2025, 99,3 milhões em 2026 e 169,1 milhões em 2027, somando 305,3 milhões até 2027. A tramitação ocorre em regime de urgência aprovado no fim de junho.
No pronunciamento que formalizou a saída, o deputado afirmou ter levado reiteradas vezes a divergência ao governador Tarcísio de Freitas.
Ele atribuiu o rompimento à priorização de benefícios que, na avaliação do movimento, favorecem a elite do funcionalismo em detrimento de outras carreiras.
A Alesp registrou a manifestação em sessão ordinária. Até a publicação desta reportagem, o governo de São Paulo não havia se pronunciado sobre a mudança na vice-liderança.
A discussão do projeto na Assembleia vem sendo acompanhada por audiências públicas e por manifestações de entidades.
A administração da Defensoria sustenta que a reestruturação cria órgão de assessoramento e não restringe a atuação dos defensores.
Organizações da sociedade civil, por sua vez, apontam risco de concentração de poder na cúpula e de enfraquecimento de núcleos especializados, com reflexo em temas como controle de letalidade policial e defesa de pessoas privadas de liberdade.
O movimento ocorre em paralelo à reorganização eleitoral do MBL.
Em 26 de junho, o grupo informou ter alcançado o mínimo de 547.505 apoios validados pelo Tribunal Superior Eleitoral para o registro do partido Missão.
Lideranças do movimento já indicavam reposicionamento para 2026 fora da base do governo de São Paulo.