MBL 10 Anos: "Somos dissidentes. A direita brasileira é uma piada"

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MBL 10 Anos: “Somos dissidentes. A direita brasileira é uma piada”

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Alexandre Borges
7 minutos de leitura 01.11.2024 12:01 comentários
Brasil

MBL 10 Anos: “Somos dissidentes. A direita brasileira é uma piada”

Fundador do movimento relembra conquistas, polêmicas e detalha planos para a criação do partido Missão

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Alexandre Borges
7 minutos de leitura 01.11.2024 12:01 comentários 0
MBL 10 Anos: “Somos dissidentes. A direita brasileira é uma piada”
Foto: Divulgação
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Ao completar 10 anos, o Movimento Brasil Livre (MBL) se consolida como uma das forças mais influentes da direita brasileira.

Surgido em 1 de novembro de 2014, o MBL ganhou destaque no impeachment de Dilma Rousseff e ajudou a popularizar pautas de direita no país. Em entrevista exclusiva, Renan Santos (foto), líder e um dos fundadores do movimento, avalia o impacto de uma década de atuação, as rupturas com o bolsonarismo e o desafio de formar o novo partido, chamado Missão.

“Criamos um modelo de ação política da direita, com saldo positivo, mas aprendemos também com os erros”, destaca Renan, que aponta o desenvolvimento de lideranças e a institucionalização do partido como próximos passos para consolidar o MBL.

  1. O MBL surgiu em meio aos protestos de 2013 e ganhou força durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Olhando para trás, como você avalia o impacto do movimento na política brasileira desde então?

O impacto foi bem grande, não apenas através de suas consequências políticas diretas, como o impeachment da DIlma, a aprovação de centenas de projetos em inúmeras instâncias, a relatoria de reformas importantes e a popularização de um discurso de direita que era minoritário no país. Criamos boa parte das “fórmulas” de ação política da direita no Brasil, com consequências positivas e negativas para o debate público. Sabemos o peso disso, e buscamos fazer uma leitura crítica das nossas ações ao longo do tempo. O saldo, porém, é bastante positivo. Especialmente quando agimos no contrafluxo do campo da direita no Brasil.

  1. Após a eleição de 2018, o movimento fez questão de se afastar de figuras como Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Como você descreveria a evolução ideológica do MBL?

Essa foi a mais dolorosa das decisões e, ao mesmo tempo, a mais importante. Delimitar o que podemos ser, para além do “onde podemos chegar?” significa sacrifício, e fizemos isso em nome de valores muito particulares ao negar o absurdo chamado Bolsonaro. Digo isso pois não tínhamos construído nossos limites ideológicos à época, e nossa identidade ao redor de 2019 e 20 era muito difusa no campo da direita. Buscamos alterar isso ao longo dos últimos anos, construindo uma ação política de direita com caráter bastante próprio. A criação da revista Valete e o Livro Amarelo, nosso programa ideológico, surgiram para articular essa necessidade.

  1. Quais foram os melhores e piores momentos do grupo nestes 10 anos? Que lições foram tiradas destes episódios?

Nada supera para mim a caminhada até Brasília em 2015. Havia algo de mágico naquele momento. Mas as vitórias conquistadas — do impeachment até a eleição de alguns de nossos líderes — foram todas muito comemoradas. Há também o alívio de provar nossa honra na justiça após algumas perseguições sofridas. Os piores momentos, com certeza, foram a queda do Arthur em 2022, as traições políticas de gente que julgava amiga e perseguições políticas a familiares. Isso é o lado mais podre da política. Te derruba, mas molda caráter.

  1. O MBL está em processo de criação do Partido Missão. Qual é a motivação por trás dessa decisão e quais são as expectativas do movimento em relação ao novo partido?

A Missão é a institucionalização do nosso sonho, e também a possibilidade de se organizar politicamente sem concessões. Hoje, temos que ceder diante da vontade de picaretas que administram esses cartórios ridículos que chamamos comumente de “partidos”. Com a Missão faremos tudo de maneira orgânica, como um movimento. Será uma revolução na forma de se fazer política — algo que o MBL já fez como movimento em 2014.

  1. Sobre o “Livro Amarelo”, que está sendo elaborado pelo MBL, o que podemos esperar?

Vamos fugir de ortodoxias ideológicas e tentar conjugar um conjunto de experiências políticas diversas adaptadas a um contexto cultural brasileiro. É possível elencar experiências de sucesso que vão da política de segurança de El Salvador até a recente industrialização vietnamita. Também temos algumas metas óbvias para serem resolvidas enquanto “eixos estruturantes”: desenvolvimento do Nordeste, desfavelização do país, eliminação de facções criminosas, aumento da produtividade. Acreditamos que são questões centrais para ganhos em escala em todas as áreas que realmente importam para o país.

  1. Qual a sua avaliação sobre o desempenho eleitoral do movimento e quais as estratégias para ampliar a representatividade política do MBL?

Demos um grande salto em 2024: não somos mais um movimento “sãopaulocentrado”. Chegamos com força no Nordeste e vamos buscar capilaridade através do partido. Nosso foco continuará sendo a formação de líderes exemplares, além da construção e fidelização de um discurso político para além das identificações simples de “esquerda x direita”.

  1. A relação do MBL com outros movimentos de direita e figuras políticas tem sido marcada por alianças e rupturas. Como você enxerga o papel do MBL no cenário da direita brasileira?

Somos dissidentes. A direita brasileira é uma piada.

  1. Quais os planos para fortalecer lideranças regionais e garantir a continuidade do movimento no longo prazo?

Fortalecimento de núcleos e lideranças. Isso deu muito certo no nordeste, onde somos, hoje, bastante relevantes. A lógica por trás disso é viver o movimento enquanto comunidade. É muito trabalhoso, pois demanda cultura interna forte, mas isso traz as recompensas devidas.

  1. O MBL é conhecido por sua força nas redes sociais. Qual a importância do ativismo digital para o movimento?

Ainda é a base da nossa ação política, mas vejo com ceticismo cada vez maior essa dependência digital da direita. No fim, a própria mobilização obedece ao digital, e não o contrário. Isso faz com que sejamos reféns do algoritmo. Queremos (e vamos) diminuir isso cada vez mais.

  1. Olhando para o futuro, quais são os principais desafios e objetivos do MBL para os próximos 10 anos?

Temos 3 eixos de atuação: o grupo Valete, que se tornará editora, selo musical, rede de cafeterias e organizadora de eventos. Ele cuidará da formação da sensibilidade que queremos para nosso campo.

O MBL, como movimento, continuará formando jovens e sendo vanguarda na linguagem política brasileira. E a Missão, como braço político, será a expressão político-institucional deste universo. Criar estes 3 ecossistemas é nosso grande desafio, e nada me diz que será uma tarefa fácil.

Precisamos de pessoas com habilidades muito diversas trabalhando em conjunto com a mesma visão de mundo. Tem de haver coerência interna. Mas não vejo ninguém se propondo a fazer isso — nem mesmo a esquerda. Então acho que vamos surpreender a todos, como já fizemos outras vezes. Será um susto bem grande nos adversários.

A diferença é que não somos mais uns moleques trabalhando num cubículo mofado no centro de São Paulo, como em 2014. Temos estrutura, dinheiro e experiência. Serão conquistas mais sólidas e duradouras que tudo o que já fizemos antes.

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