Mauro Cid: Bolsonaro leu e fez alterações em minuta golpista
Declaração ocorreu durante depoimento prestado por ex-ajudante de ordens ao ministro Alexandre de Moraes
Em depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente não somente recebeu a chamada minuta do golpe como também confirmou que fez alterações no texto.
“O presidente recebeu e leu [a minuta do golpe]. Ele, de certa forma, enxugou o documento, basicamente retirando as autoridades das prisões. Somente o senhor [Alexandre de Moraes] ficaria como preso. O resto, não”, disse Cid nesta segunda-feira.
“Em termos de data, não me lembro bem. Foram duas, no máximo três reuniões em que esse documento foi apresentado ao presidente”, relembrou Cid.
De acordo com o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, a minuta tinha duas partes: a primeira, com os ‘considerandos’ e a segunda falava sobre a possível decretação do estado de defesa, estado de sítio e prisão de autoridades.
“A primeira parte eram os ‘considerandos’ — cerca de 10 páginas, muito robustas. Essa parte listava possíveis interferências do STF e do TSE no governo Bolsonaro e no processo eleitoral”, declarou Cid.
No depoimento, Cid afirmou que coube ao ex-presidente Jair Bolsonaro excluir ministros do STF entre outras autoridades que poderiam ser presas. O texto foi elaborado pelo ex-assessor da Presidência da República Filipe Martins.
“O documento mencionava vários ministros do STF, o presidente do Senado, o presidente da Câmara… eram várias autoridades, tanto do Judiciário quanto do Legislativo”, declarou Cid.
Para Mauro Cid, o plano da cúpula do Palácio do Planalto era anular as eleições de 2022 para que fosse realizado um novo pleito.
Como mostramos mais cedo, o tenente-coronel afirmou que o general Freire Gomes, do Exército, estava preocupado que os demais integrantes das Forças Armadas tomassem uma atitude, sem que ele fosse consultado ou sem que ele pudesse intervir.
Após a reunião do dia 7 de dezembro de 2022, Mauro Cid disse ter conversado com Freire Gomes.
“Várias vezes, ele [Freire Gomes], pedia para que eu, quando saíse do Alvorada, para ir conversar com ele. Se ele tinha alguma informação, ele me ligava. Pô, falaram que fulano foi aí… Eu saía [do Alvorada] e, como eu morava próximo dele, eu passava na casa dele. Às vezes onze e meia, meia-noite“, disse Mauro Cid.
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