Master transferiu R$ 5,7 bilhões em créditos sob suspeita antes de liquidação
Operações haviam sido classificadas como atípicas pelo BC e envolveram fundos ligados ao próprio grupo, segundo documentos
O Banco Master repassou R$ 5,7 bilhões em créditos que haviam sido identificados como atípicos pelo Banco Central meses antes da liquidação da instituição, segundo documentos obtidos pelo UOL e apresentados pelo liquidante à Justiça.
As operações envolveram 16 empréstimos transferidos para fundos de investimento e para o BRB entre junho e agosto de 2025, antes do chamado “termo legal” da liquidação, iniciado em 19 de setembro, de acordo com a reportagem.
A data marca o período a partir do qual operações consideradas prejudiciais aos credores podem ser anuladas pela Justiça.
Segundo a fiscalização do BC, os empréstimos não tinham função real de crédito. O modelo identificado envolvia clientes que recebiam valores elevados e aplicavam os recursos, de forma obrigatória, em fundos ligados ao próprio grupo.
A maior parte dos R$ 5,7 bilhões foi transferida para fundos relacionados ao próprio Banco Master. Cerca de R$ 2,9 bilhões passaram pelo Máxima 2, fundo da instituição, enquanto outros R$ 1,6 bilhão foram destinados a fundos ligados à Reag Investimentos.
Segundo a documentação do liquidante, alguns desses fundos sequer teriam pago pelos créditos adquiridos. A Reag é investigada por suspeitas de ligação com o PCC e com o Banco Master.
As operações fazem parte de uma lista maior, com 112 cessões de crédito que somam R$ 10,2 bilhões. O liquidante afirma que os repasses dificultavam o rastreamento dos recursos, em um movimento descrito pela Polícia Federal como “pulverização e reempacotamento de ativos”.
Créditos vendidos ao BRB
Cerca de R$ 1 bilhão em créditos foi repassado ao BRB. O banco público cobra do liquidante aproximadamente R$ 4 bilhões referentes às carteiras adquiridas do Master.
Em nota, o BRB afirmou que “os ativos mencionados foram recebidos pela gestão anterior no contexto de negociação de ativos junto ao Banco Master” e disse que a nova administração adota medidas para tratar os ativos conforme regras internas e exigências regulatórias.
A lista também inclui empréstimos envolvendo empresas e empresários.
Um dos maiores tomadores é a Lormont Participações, controlada por Nelson Tanure, investigado sob suspeita de ser sócio oculto do Master. O empresário nega controlar a instituição e afirmou que os créditos que tomou foram regularmente quitados.
Entre os casos citados está ainda um empréstimo de R$ 5,5 milhões ao presidente da Febraban, Isaac Sidney. Segundo ele, tratava-se de um financiamento imobiliário já quitado, e ele afirmou desconhecer uma cessão posterior do crédito para outra empresa.
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