Maristela Basso na Crusoé: Até onde se pode ir sem ser parado?
Talvez seja essa a questão central e moral de nosso tempo
Os grandes escândalos financeiros costumam ser explicados pela ganância.
A explicação é confortável. Permite acreditar que tudo se resume ao desejo de acumular mais dinheiro.
Mas talvez essa explicação seja insuficiente.
Muitos dos protagonistas dessas histórias já possuem fortunas capazes de sustentar várias gerações. Ainda assim continuam avançando, assumindo riscos cada vez maiores e desafiando limites cada vez mais evidentes.
Por quê?
Porque, em determinado momento, o dinheiro deixa de ser o objetivo principal.
O que passa a produzir satisfação é a sensação de poder.
Invulnerabilidade
Mais especificamente, a sensação de que as regras continuam valendo para todos os demais, mas não para si próprio.
A primeira transgressão bem-sucedida gera lucro.
A segunda gera confiança.
A terceira produz algo mais perigoso: a impressão de invulnerabilidade.
Pouco a pouco desaparece a ideia de que existe uma instância superior capaz de impor limites.
A lei continua existindo.
Os reguladores continuam funcionando.
Os tribunais continuam julgando.
Mas o indivíduo passa a agir como se tudo isso fosse apenas um cenário destinado aos outros.
Freud observou que parte do comportamento humano não é movida apenas pela busca do prazer, mas também pelo desejo de transgredir.
Lacan foi além…
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