Márcio Coimbra na Crusoé: O “Custo Rússia” para o Brasil
Tapete vermelho para autoridades russas mancha a diplomacia do Itamaraty e isola o país
A política externa brasileira atravessa hoje um momento de perigosa indefinição ética.
Ao buscar um estreitamento de laços com a Federação Russa em meio à invasão da Ucrânia, o Brasil não apenas desafia o consenso das principais democracias ocidentais, mas também flerta com a erosão de sua própria identidade como nação democrática.
O regime de Moscou, consolidado como uma autocracia que cerceia a liberdade de expressão e persegue opositores, utiliza a força militar como ferramenta sistemática de expansão territorial.
Para um país que se orgulha de suas instituições, o silêncio — ou, pior, a cordialidade excessiva — diante de tais práticas configura uma dissonância cognitiva diplomática que compromete nossa credibilidade junto aos parceiros estratégicos que compartilham de nossa arquitetura de valores.
Essa aproximação torna-se ainda mais incompreensível quando se nota que o Brasil não apenas ignora a ordem global, mas negligencia evidências graves de que sua própria soberania tem sido instrumentalizada pelo Kremlin.
A recente descoberta de uma rede de espiões russos operando em solo nacional, utilizando identidades brasileiras fraudulentas para infiltrar-se em organismos internacionais, é um alerta que a diplomacia de Brasília parece ignorar.
Foram identificados ao menos nove agentes que teriam usado documentos brasileiros como parte de seus disfarces, como os casos de Sergey Cherkasov, que se passava por Victor Muller Ferreira, Mikhail Mikushin, sob o pseudônimo de José Assis Giammaria e Artem Shmyrev, que usava o nome Gerhard Daniel Campos.
Esses casos revelam que Moscou enxerga o Brasil não como parceiro de igual estatura, mas como “fábrica de identidades” para suas operações de espionagem.
Aeronaves suspeitas
Essa falta de respeito pela integridade institucional brasileira manifesta-se também na opacidade que envolve a movimentação de aeronaves estatais russas em aeroportos nacionais.
Relatos sobre voos suspeitos registrados em Brasília entre 2025 e o início de 2026, envolvendo modelos como o Ilyushin Il-96 e o Tupolev Tu-204, levantam questionamentos profundos.
Tais aeronaves, muitas vezes vinculadas ao Esquadrão de Voos Especiais do Kremlin ou a empresas sancionadas, realizam rotas complexas para evitar o espaço aéreo europeu, fazendo escalas em Casablanca, Dakar e Baku antes de pousar na capital federal e rumar para Havana e Caracas.
A ausência de…
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Comentários (1)
Luis Eduardo R. Caracik
08.02.2026 04:57"regime de Moscou, consolidado como uma autocracia que cerceia a liberdade de expressão e persegue opositores, utiliza a força militar como ferramenta sistemática de expansão territorial". Acho que ou eu estava em outro planeta desde que nasci, ou os Antagonistas estão fora deste mundo. Os Estados Unidos não fazem a mesma coisa sistematicamente? Irã, Vietnam, Iraque, Panamá, apenas para citar casos mais antigos, foram o quê? E as pretensões atuais americanas quanto à Venezuela, Groenlândia e Canadá? O que é isso companheiro! Os Estados Unidos, por décadas tem sido uma ameaça muitíssimo maior que a Rússia à paz mundial. Até hoje vocês não perceberam isso? Ou o vírus da Russofobia criado em laboratórios americanos e Ingleses contaminou vocês?