Márcio Coimbra na Crusoé: O custo do amadorismo
Ao impor tarifas de vingança, o Brasil encarece insumos vitais, asfixia empresas importadoras, destrói postos de trabalho na cadeia logística e portuária e reduz o dinamismo da economia.
O tabuleiro do comércio global sofreu um realinhamento profundo, e o Brasil, infelizmente, moveu-se tarde e mal.
A confirmação de que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) concluiu sua investigação sob a Seção 301, oficializando a sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, é um revés severo.
Mas, acima de tudo, é um diagnóstico implacável sobre o amadorismo e a saturação ideológica que hoje paralisam a nossa diplomacia comercial e governamental.
Diferentemente do tarifaço linear de 2025 — que ruiu nos tribunais americanos por seu vício de origem político —, a investida atual possui uma blindagem técnica sofisticada.
Ao ancorar as penalidades nas conclusões de um processo administrativo, Washington ergueu barreiras de difícil reversão judicial.
O USTR apontou seis frentes de alegadas “práticas injustas“, misturando assimetrias comerciais reais com pautas oportunistas de forte teor de soberania interna.
Na mesa de discussões, temas legítimos como a falta de reciprocidade no mercado de etanol, gargalos históricos em propriedade intelectual e desvios tarifários bilaterais misturaram-se ao escrutínio sobre decisões do Supremo Tribunal Federal contra empresas de tecnologia, ao combate à corrupção e ao uso do desmatamento ilegal como pretexto para o protecionismo verde.
Contaminação de agendas
Para agravar o cenário, enfrentamos o fenômeno da contaminação de agendas, a chamada linkage diplomacy.
A recente classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais por Washington fundiu a governança econômica à segurança nacional dos EUA.
O comércio bilateral deixou de ser uma discussão puramente tarifária e passou a atuar como moeda de troca geopolítica de alta complexidade — um tabuleiro em que nossa diplomacia estatal tem demonstrado pouca agilidade de manobra.
Diante desse cerco previsível, a resposta de Brasília foi a combinação de passividade técnica nos bastidores e retórica inflamada para consumo interno.
O governo brasileiro…
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Comentários (1)
Marian
18.07.2026 18:14Para onde foi a política de Estado? Seguiu com as empresas que desistiram, com investimentos estrangeiros e com os empregos que serão criados em outros países? Terra arrasada.