Márcio Coimbra na Crusoé: Batalha assimétrica
Combater o crime organizado exige cooperação internacional plena contra o crime
O poderio do crime organizado que motivou a ação policial no Rio de Janeiro não é um caso isolado, mas sim a tradução de uma doença metastática que consome o Brasil.
O que se observa no Rio hoje é apenas o ensaio geral, a prévia mais avançada, do que todo o país experimentará amanhã se não acordarmos para a realidade brutal: o crime não mais opera à margem do Estado, mas sim infiltrado em suas veias e com seus negócios diversificados em escala industrial.
A letalidade da ação, portanto, não é apenas um drama local.
Estamos diante de um sistema que alimenta redes globais de tráfico, lavagem e violência que demandam respostas coordenadas além de nossas fronteiras.
O conceito de crime organizado, neste cenário, transcende o ilícito comum.
Trata-se de um conglomerado infiltrado nas instituições públicas, com gestão corporativa, que sistematicamente corrompe e coopta o Estado para garantir a impunidade e expandir seus impérios.
Esta não é uma teoria conspiratória. É a prática documentada de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que hoje controlam cadeias inteiras do poder público.
A infiltração é a nova arma, agora eficaz e silenciosa.
As fraudes em concursos públicos, criminosos eleitos para parlamentos e um judiciário leniente são as provas cabais de êxito desta estratégia.
Mexicanização
Além da infiltração política, é um erro reduzir o poder do crime apenas ao tráfico de drogas.
Atualmente, uma vasta e complexa teia econômica lava seus recursos e financia sua expansão.
Facções dominam o contrabando de cigarros, a comercialização de vapes, a adulteração de combustíveis em escala nacional e, de forma mais visível…
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