Márcio Coimbra na Crusoé: Aposta insensata
Sucessão presidencial deixou de ser corrida entre Lula e Bolsonaro: é uma disputa entre o pragmatismo pós-ideológico e o esgotamento populista
Diante de indicadores de aprovação em declínio, o governo federal aposta numa combinação perigosa para recuperar sua popularidade: estímulos fiscais insustentáveis e uma narrativa deliberadamente divisiva.
Os números desnudam a gravidade: um déficit primário projetado acima de 100 bilhões de reais e uma dívida pública bruta rumo a 80% do PIB são fruto de escolhas que privilegiam o ganho político imediato em detrimento da estabilidade futura. O outrora “investimento social” se transformou no pesadelo da irresponsabilidade fiscal, hipotecando o amanhã ao corroer a confiança na gestão econômica.
O maior custo dessa estratégia recai justamente sobre aqueles que o governo diz defender. A explosão fiscal alimenta a inflação de alimentos e serviços básicos – que consome 35% da renda dos mais vulneráveis.
O aumento do risco-Brasil eleva juros, trava crédito para microempresas e inviabiliza a geração de empregos formais. Enquanto o Planalto queima capital político em brigas ideológicas, falha no essencial: segurar a inflação, produzir eficiência no Bolsa Família e gerar políticas de produtividade rural que reduzam a fome.
Polarização tóxica
Paralelamente, a máquina oficial fomenta uma polarização tóxica, reduzindo o Brasil à caricatura de “pobres contra ricos”. Narrativa falsa e leviana, que ignora que os 30 milhões abaixo da linha da pobreza precisam de soluções reais, não estereótipos.
Transformar a desigualdade em munição retórica aprofunda fraturas e desvia o foco de políticas eficazes. Lula, ao dobrar a aposta nesse radicalismo datado, afasta-se do centro que lhe deu a vitória em 2022.
O descontrole fiscal mina até as bases históricas do lulismo. Sindicalistas pressionam por reajustes acima da inflação enquanto empresas ameaçam demissões em massa. Movimentos sociais cobram reforma agrária num orçamento asfixiado por gastos correntes.
O resultado é um lento esvaziamento da militância orgânica. Sem recursos para sustentar sua rede de apoios, o governo assiste à migração…
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