Márcio Coimbra na Crusoé: A OCDE e o futuro do Brasil
O Brasil precisa posicionar-se ao lado de seus verdadeiros pares: regimes constitucionais e democráticos pautados pelo Estado de Direito
A política externa de um Estado com a dimensão e a projeção do Brasil não pode se render a nostalgias ideológicas, tampouco a conveniências táticas.
Na complexa arquitetura internacional contemporânea, o alinhamento estratégico e a escolha dos fóruns multilaterais determinam a credibilidade diplomática de uma nação, o custo do financiamento externo e o horizonte de seu desenvolvimento.
Diante disso, impõe-se um diagnóstico inequívoco: a integração plena à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) representa a mais eficaz âncora de modernização do país.
Salto institucional
Para mensurar os ganhos do Brasil ao integrar a OCDE, é indispensável examinar sua trajetória.
Criada em 1948 como Organização Europeia de Cooperação Econômica para gerir recursos do Plano Marshall, a entidade foi refundada pela Convenção de Paris em 1961, dando origem à OCDE.
Em seis décadas, o bloco consolidou-se como o mais sofisticado centro global de políticas públicas.
Para o Brasil, absorver essa experiência traduz-se em salto imediato de maturidade institucional.
A adesão permite importar avanços regulatórios, submeter a gestão pública a avaliações periódicas por pares, as conhecidas peer reviews, e acelerar reformas no combate à corrupção, na simplificação tributária e na eficiência dos serviços públicos.
Ancoragem
Sob a ótica econômica, o ingresso na OCDE atua como catalisador de produtividade.
A convergência normativa e a adesão a mais de duzentos instrumentos legais reduzem o “Custo Brasil“, eliminando travas burocráticas e distorções fiscais.
Mais do que isso, esse selo de governança garante acesso a fundos globais de investimento cujos estatutos vedam aportes em economias desprovidas de tais garantias.
No plano político, o Brasil deixa de ser receptor passivo de normas para atuar como formulador ativo das regras globais, um…
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