Malafaia comenta voto de Moraes: “Que moral esse cara tem para julgar?”
Pastor acusa ministro do STF de perseguição política, pede impeachment e questiona legitimidade moral do magistrado para julgá-lo
O pastor Silas Malafaia acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de perseguição política, após o magistrado votar nesta sexta-feira, 6, para torná-lo réu por calúnia, injúria e difamação.
Em resposta, o líder religioso questionou abertamente a autoridade do ministro: “Que moral esse cara tem para julgar alguém?”
Malafaia foi direto ao associar o processo a alegações sobre a conduta de Moraes: “Ele tem que ser afastado imediatamente e tomar um impeachment. Estão aí os crimes dele que estão sendo expostos do seu relacionamento com [Daniel] Vorcaro [dono do Master] e da grana milionária que a mulher dele ganhou para comprar o poder e a influência dele. Isso é uma vergonha”.
O pastor ainda afirmou não vai recuar: “Ele quer calar, como sempre fez, seus opositores. Mas eu não tenho medo dele, por isso que eu estou falando”.
“Eu não tenho foro”
Além das declarações políticas, Malafaia levantou um argumento jurídico: o caso, segundo ele, deveria tramitar na primeira instância, e não no STF. “Eu não tenho prerrogativa de função no STF, eu não tenho foro”, disse, contestando também a vinculação do processo ao inquérito das fake news. “O que tem a ver liberdade de expressão numa manifestação com inquérito de fake news? Esse é o jogo, é o conluio entre eles”.
O discurso que originou o processo
A ação tem origem em um discurso proferido por Malafaia no dia 6 de abril de 2025, durante manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato foi convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em defesa da anistia aos participantes dos eventos do 8 de janeiro.
Do alto de um carro de som, o pastor atacou o Alto Comando do Exército sem citar nomes: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”.
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, apresentou representação após o episódio. A Procuradoria-Geral da República formalizou a denúncia no dia 18 de dezembro de 2025, descrevendo as palavras do pastor como ofensas que configurariam injúria e imputação do crime de prevaricação – enquadramento que pode também caracterizar calúnia.
Moraes, relator do caso, afirmou em seu voto que a PGR detalhou as ofensas atribuídas ao pastor. Além da abertura da ação penal, o ministro pediu agravamento de pena por se tratar de declarações contra servidor público no exercício do cargo, proferidas diante de grande público e amplificadas pelas redes sociais.
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