Mais de 2 milhões de beneficiários do INSS pedem reembolso por descontos
Ao todo, 9,4 milhões de beneficiários foram notificados sobre a existência de cobranças associativas em seus extratos
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu até a noite de desta sexta-feira, 23, mais de 2 milhões de solicitações de reembolso por parte de aposentados e pensionistas que alegam não reconhecer descontos feitos por associações em seus benefícios.
Desde o início da apuração, 41 entidades seguem notificadas por supostas cobranças indevidas. As associações têm até 15 dias úteis para comprovar o vínculo com os beneficiários, apresentando documentos que comprovem a filiação, a autorização do desconto e a identidade do segurado. Caso não consigam comprovar a legalidade dos abatimentos, devem devolver os valores descontados.
Ao todo, 9,4 milhões de beneficiários foram notificados sobre a existência de cobranças associativas em seus extratos. Desse total, 2.057.346 pessoas acessaram os canais do INSS para consultar os lançamentos — desses, apenas 46.282 (2,25%) confirmaram que autorizaram os débitos.
A verificação pode ser feita pelo aplicativo ou site Meu INSS, além da central telefônica 135.
Reportagem
A fraude no INSS foi revelada pelo repórter Luiz Vassalo, cujas reportagens geraram investigações de auditores concursados da Controladoria-Geral da União (CGU) e agentes da Polícia Federal (PF).
Os casos surgiram em 2019, sob o governo de Jair Bolsonaro, e aumentaram exponencialmente quatro anos depois, sob o governo Lula. No total, 6 milhões de pessoas vinham sendo descontadas mensalmente em seu salário de aposentadoria, a maioria sem consentimento, comprometendo ao todo R$ 6,3 bilhões. Os descontos só foram alegadamente suspensos em abril de 2025.
O esquema levou ao afastamento de seis servidores, à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e à saída do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), após reunião com Lula.
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