Maioria acha que CV e PCC devem ser classificados como terroristas, aponta Quaest
Apesar do apoio popular, equiparação de facções a grupos terroristas enfrenta resistência no governo Lula
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 12, aponta que a maioria dos brasileiros concorda com a classificação de facções criminosas, como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas.
A equiparação é válida para 73% dos entrevistados, ante 20% que não a consideram correta. Outros 7% não responderam ou não souberam opinar.
Os números são semelhantes aos verificados pela Quaest no Rio de Janeiro em outubro.
Quando questionados se as facções criminosas deveriam ser enquadradas como organizações terroristas, 73% responderam “sim”, enquanto 23% disseram “não”. Apenas 4% não opinaram.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 6 e 9 de novembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Terrorismo
A questão voltou ao debate público com muita intensidade após a deflagração da Operação Contenção, em 28 de outubro, quando as forças policiais fluminenses entraram em confronto com membros do Comando Vermelho (CV), numa ação que resultou na morte de 117 faccionados e quatro policiais nos complexos do Alemão e da Penha.
O governo Lula resiste a encampar o enquadramento de grupos como CV e PCC, sob o receio de que poderia atrair algum tipo de interferência americana, mas os governos dos vizinhos Paraguai e Argentina deram passos nessa direção após a megaoperação no Rio.
PL Antifacção
Diante do esperneio do governo Lula, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) removeu alterações na Lei Antiterrorismo do PL Antifacção.
O substitutivo atual endurece penas para ações de facções e amplia instrumentos de investigação, mas não altera a Lei Antiterrorismo nem mexe nas regras que tratam das atribuições da PF.
Derrite afirma no parecer que a tipificação de terrorismo segue distinta da atuação de facções criminosas e que unir os dois conceitos poderia gerar “insegurança jurídica”, além de questionamentos no Supremo Tribunal Federal.
Com isso, o texto antifacção não altera definições, penas ou hipóteses da lei vigente, nem cria vínculos formais entre crime organizado e terrorismo.
Leia em Crusoé: Narcoterror
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Comentários (3)
Rosa
12.11.2025 11:22Gisto de ver as interações do Caracik, tem cérebro.
Angelo Sanchez
12.11.2025 10:29Muito estranho a gritaria, sobre o parecer do delegado Derrite, parece que o governo do “descondenado”, está ao lado do crime organizado e se arrepiou quando soube desta lei que pune mais ferozmente estas máfias criminosas do narcotráfico.
Luis Eduardo Rezende Caracik
12.11.2025 09:33Classificar facções criminosas como terroristas, organizações diabólicas ou qualquer outra coisa do gênero, não muda absolutamente nada. O que muda é combate sistemático e eficiente ao crime, e código penal realista e rigoroso. O resto é pura balela.