‘Mãe Loira do Funk’ é presa após condenação por tortura
Verônica Costa foi capturada em Petrópolis por crime cometido contra o ex-marido em 2011; outros três foram presos e um está foragido
A empresária e ex-vereadora carioca Verônica Costa (PL), conhecida como ‘Mãe Loira do Funk’, foi localizada e presa na noite desta quinta-feira, 24, no Vale das Videiras, em Araras, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
A prisão decorre de condenação de 10 anos e 8 meses por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, em episódio ocorrido em fevereiro de 2011, dentro de uma residência na Zona Sudoeste da capital fluminense.
Outras três pessoas foram detidas na mesma ação; um quinto condenado permanece foragido.
Buscas em três endereços
Antes de localizarem Verônica em Petrópolis, agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter) estiveram em um imóvel no Recreio dos Bandeirantes, onde ela mantém residência, sem encontrá-la.
Dois cachorros pertencentes à ex-parlamentar foram retirados do local e entregues à casa de uma amiga. Equipes policiais também verificaram outros endereços vinculados a ela na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá antes de confirmar seu paradeiro na Região Serrana.
Segundo apuração da Polícia Civil, quatro pessoas ligadas a Verônica teriam invadido a casa do casal, então ainda casado, e amarrado Márcio Costa no banheiro por ordem dela. Bruno Chaves Ribeiro, Tatiane Chaves Ribeiro Marques e Bruno Marcelo Bahia Marques foram presos junto com a ex-vereadora.
Relato da vítima e histórico do processo
Em depoimento concedido ao jornal O Globo em 2019, Márcio Costa descreveu ter sido amarrado com correntes, corda e cadeado, além de vendado na boca e nos olhos antes de sofrer agressões. Segundo o relato, um produto químico foi jogado sobre seu corpo: “Não sei se era gasolina ou querosene. Ficaram ameaçando colocar fogo no meu corpo”. Ele afirmou ainda que a ex-mulher o acusava de traição e de furto de valores.
Márcio relatou ter deixado o país por temor de sofrer nova agressão. O relacionamento entre os dois começou quando Verônica ainda era casada com o tio dele, Rômulo Costa, integrante do grupo Furacão 2000; o casal permaneceu unido por 11 anos antes da separação motivada pelo episódio.
Após o ocorrido, Verônica alegou que o ex-marido usava drogas e teria invadido sua casa para subtrair pertences. Em março daquele ano, no entanto, um exame toxicológico apresentado por Márcio na 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio dos Bandeirantes, deu resultado negativo para maconha e cocaína. Ele também negou ter retirado objetos da residência.
A condenação atual partiu da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, após recurso do Ministério Público contra sentença de primeira instância, que havia fixado pena de cinco anos e dez meses. Verônica sempre negou ter cometido a tortura atribuída a ela.
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