Crise no INSS: Lupi avalia entregar o cargo para Lula
Ministro da Previdência ficou irritado com fritura do Palácio do Planalto e terá reunião com Lula às 16h para tratar do assunto
Após o escândalo do desconto ilegal de aposentadorias e pensões, o ministro da Previdência, Carlos Lupi pode deixar o cargo ainda nesta sexta-feira, 2. Conforme apurou este portal, Lupi demonstra descontentamento pela forma como vem sendo fritado pelo próprio governo Lula após a operação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Lupi terá uma reunião decisiva às 16h com o presidente da República. Aliados de Lupi confidenciaram a este portal que, neste momento, a tendência é que Lupi entregue o cargo. O pedetista pode mudar de ideia caso Lula dê garantias de que não haverá novas intervenções tanto no Ministério da Previdência quanto no INSS.
O Antagonista apurou que Lupi ficou irritado por não ter sido consultado em relação à substituição do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, exonerado após a descoberta do escândalo no desconto das aposentadorias e pensões. Lula resolveu nomear para o cargo Gilberto Waller Júnior, mas sem o aval de Lupi. Com esse gesto, os pedetistas afirmam que Lula decretou uma intervenção indireta tanto no INSS quanto no Ministério da Previdência, tirando a autonomia de Lupi.
Além disso, tem irritado tanto Lupi quanto integrantes do PDT os recados dados pelo Palácio do Planalto por meio de articulistas alinhados ao governo Lula. Na visão do PDT, trata-se de uma pressão que vem diretamente do Palácio do Planalto e que já foi adotada em relação a outros ex-ministros do governo Lula.
A saída de Lupi pode, inclusive, trazer feridas para a base do governo federal na Câmara. O PDT já fala abertamente que deve sair da base caso Lupi, de fato, deixe o cargo. Mas esse é um assunto que será discutido pelo partido apenas na próxima semana, a depender da decisão de Lupi e de Lula.
Lupi é alvo de representação criminal na PGR; Lula tenta se esquivar
Como mostramos mais cedo, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR), uma representação criminal contra o ministro da Previdência Social. O deputado alega que Lupi cometeu omissão dolosa diante do esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Na representação, destinada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Zucco pede que seja instaurado um procedimento de apuração criminal contra Lupi para ser avaliada a participação dele nos eventos investigados pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal; ou que seja solicitado o compartilhamento das investigações sobre o caso, para que, havendo indícios que impliquem a participação do ministro nos fatos em apuração, o Supremo Tribunal Federal (STF) seja provocado.
Outro pedido é para que, atendidas as providências procedimentais cabíveis, seja requerida a cautelar de afastamento de Lupi do cargo de ministro da Previdência Social, suspendendo ele do exercício da função.
Já o presidente Lula tem tentado, desde quarta-feira, se eximir de qualquer responsabilidade neste episódio.
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