Lula visita Cristina Kirchner em prisão domiciliar após dar asilo a outra condenada
Ex-presidente da Argentina comparou sua condenação à prisão do petista na Lava Jato e denunciou "perseguição política"
Em meio à reunião de cúpula do Mercosul, o presidente Lula (PT) tirou um tempo para visitar nesta quinta-feira, 3, a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após ser condenada por corrupção.
Em sua conta no X, Cristina afirmou que a visita do petista em sua residência, no bairro de Consituición, em Buenos Aires, foi “mais do que um gesto pessoal, foi um ato político de solidariedade.”
A ex-presidente argentina relembrou a prisão de Lula, em 2019, no âmbito da Lava Jato. Segundo ela, o petista – que foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro – “também foi perseguido, chegando a prendê-lo e tentaram silenciá-lo”, mas “não conseguiram”.
“Hoje recebemos em minha casa o CAMARADA Lula, onde me encontro em prisão domiciliar por decisão de um Poder Judiciário que há muito deixou de ocultar sua subordinação política e se tornou um partido político a serviço do poder econômico.
Lula também foi perseguido, usaram a guerra jurídica contra ele, chegando a prendê-lo, e tentaram silenciá-lo. Não conseguiram. Ele voltou com o voto do povo brasileiro e de cabeça erguida. Por isso, hoje, SUA VISITA FOI MUITO MAIS DO QUE UM GESTO PESSOAL: FOI UM ATO POLÍTICO DE SOLIDARIEDADE”, escreveu.
Na postagem, Cristina afirmou que o governo do presidente Javier Milei promove “terrorista de Estado de baixa intensidade” contra opositores.
“Os olhos do mundo estão observando atentamente enquanto a Argentina vivencia uma genuína deriva autoritária sob a liderança do governo Milei, no que podemos identificar como terrorismo de Estado de baixa intensidade”, acrescentou.
A visita de Lula foi viabilizada por um pedido da defesa da ex-presidente argentina, que solicitou à Justiça autorização para o encontro enquanto ela cumpre prisão domiciliar.
O apreço do petista por figuras condenadas por corrupção, porém, não se limita a Cristina.
No mês passado, o governo Lula concedeu asilo político à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro.
Corrupção
Em 10 de junho, a Suprema Corte da Argentina confirmou, por unanimidade, a condenação de Cristina Kirchner.
Em novembro de 2024, a Câmara de Cassação havia ratificado a condenação da ex-presidente, considerando comprovada a administração fraudulenta durante seu governo ao favorecer o empresário Lázaro Báez com várias obras públicas na província de Santa Cruz.
O tribunal decidiu que Báez retribuía os benefícios recebidos através de acordos ilícitos envolvendo empresas ligadas à ex-presidente.
Leia mais: A solidariedade de Lula à condenada Cristina Kirchner
“Perseguição política”
O advogado de Cristina, Gregorio Dalbón, está em campanha internacional para vender a ideia de que a condenação teve motivação política, assim como fez Lula, em 2019, quando foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Em entrevista ao jornal Crónica, Dalbón, afirmou: “Estou em Haia, no Tribunal Penal Internacional, apresentando uma denúncia por perseguição política devido à repressão na Argentina e a esta situação que comprometeu um dos líderes mais importantes da América Latina“, disse Dalbón em conversa telefônica com o Crónica HD.
O advogado afirmou que o “tema de Cristina não é jurídico, porque não há delito“.
Também falou que ela foi condenada “só por ser uma crítica, o mesmo que fizeram com Lula da Silva na Lava Jato“.
Dalbón pretende ainda ir para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Leia mais: Condenada por corrupção, Cristina Kirchner se inspira em Lula
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
saul simoes junior
03.07.2025 15:51É isso bandido sempre está de acordo com o outro.
Claudemir Silvestre
03.07.2025 15:24BANDIDOS UNIDOS … JAMAIS SERÃO VENCIDOS !!!