Lula troca palanque por pronunciamento no Dia do Trabalho
Presidente evitará atos públicos após esvaziamento registrado em 2024, e pretende anunciar pacote de bondades a uma distância segura da decepção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que não participará de celebrações presenciais do Dia do Trabalho. O petista fará um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão para apresentar um pacote de medidas voltado ao controle do endividamento das famílias brasileiras — iniciativa que inclui renegociação de dívidas com descontos de até 90% e taxas limitadas a 1,99% ao mês.
Ausência calculada em ano eleitoral
A decisão de Lula de não comparecer a eventos públicos tem relação direta com a experiência de 2024. Naquele ano, o presidente participou de um ato unificado das centrais sindicais, realizado em frente ao estádio do Corinthians, na Zona Leste de São Paulo. Não deu “ibope”. Pouco mais de 1,6 mil pessoas ouviram Lula falar, de acordo com levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo. Lula não gostou.
Com a disputa eleitoral no horizonte, reprovação em alta e o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, repetir uma cena de esvaziamento representaria desgaste político. O cenário deste ano oferece menos alternativas: as centrais sindicais abandonaram o formato unificado.
A Força Sindical orientou suas entidades a promoverem atos locais e descentralizados. A expectativa é que o principal evento ocorra em São Bernardo do Campo, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC — entidade à qual Lula foi vinculado nos anos 1970.
O que prevê o pacote de renegociação
Segundo o Globo, Lula também deve defender o fim da escala de trabalho 6×1. O detalhamento completo das medidas econômicas, no entanto, ficará para a segunda-feira seguinte.
O programa de renegociação de dívidas prevê a substituição de contratos em atraso — originados em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia — por novos acordos com condições mais favoráveis. Poderão ser beneficiadas pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos.
Os descontos variam entre 40% e 90%, conforme o tempo de inadimplência. A nova taxa de juros ficará limitada a 1,99% ao mês, e o prazo para quitação chega a quatro anos, com carência de um mês para o pagamento da primeira parcela. A adesão ao programa estará disponível por 90 dias após o lançamento.
O uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) será autorizado para essa finalidade, com limite de 20% do saldo disponível. A regularização do nome do consumidor nos cadastros de inadimplência deve ocorrer a partir do pagamento da primeira parcela.
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Comentários (1)
Juarez Borges
28.04.2026 18:31Mas esse desconto será sobre o valor total da divida ou dos juros e multas? explica ai...