Lula e Flávio têm aliados na maioria das disputas estaduais do 2º turno
Sete estados e o Distrito Federal voltam às urnas em 25 de outubro, em disputas que também refletem a polarização nacional
A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência terá reflexos diretos nas eleições para governador no segundo turno. Em boa parte dos estados que voltam às urnas em 25 de outubro, os candidatos carregam vínculos com os dois principais grupos políticos que chegaram à etapa final da disputa nacional.
O cenário fica evidente no Amazonas, onde Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) disputarão o governo. Aziz não é filiado ao PT, mas está na base do governo Lula no Congresso e declarou apoio à candidatura do presidente. O senador, que já foi governador do estado e presidiu a CPI da Covid, terminou o primeiro turno com 40,38% dos votos. Maria do Carmo, que entrou no PL em 2025, recebeu 24,72% e representa o grupo bolsonarista no estado.
A mesma divisão aparece no Distrito Federal, mas com personagens de trajetórias diferentes. Celina Leão (PP), que assumiu definitivamente o governo do DF em 2023, após o afastamento de Ibaneis Rocha, contou com o apoio da família Bolsonaro durante a campanha. Ela terminou o primeiro turno com 49,93%. Do outro lado está Leandro Grass (PT), ex-deputado distrital e ex-presidente do Iphan, que fez campanha ao lado de Lula na reta final e recebeu 34,48%.
No Rio de Janeiro, a disputa estadual se mistura ainda mais à eleição presidencial. Douglas Ruas (PL), que terminou o primeiro turno com 49,27%, representa o grupo político de Flávio Bolsonaro no estado. Já Eduardo Paes (PSD), com 42,76%, declarou apoio a Lula e chegou a afirmar durante a campanha que era “aliado do Lula”, embora não fosse subordinado ao presidente.
No Acre, a situação é diferente: os dois candidatos que avançaram ao segundo turno declararam voto em Flávio. Mailza Assis (PP) teve 49,76%, enquanto Alan Rick (Republicanos) ficou com 32,27%. Mailza conta ainda com o PL em sua aliança estadual, enquanto Rick afirmou seguir a mesma linha de Tarcísio de Freitas e declarou apoio ao candidato do PL à Presidência.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) também terá o apoio de Flávio no segundo turno. O prefeito de Vitória terminou a primeira votação com 49,65% e enfrentará Ricardo Ferraço (MDB), que recebeu 34,06% e adotou uma posição de neutralidade na disputa presidencial.
No Rio Grande do Norte, Lula terá um candidato identificado diretamente com seu grupo político. Cadu de Lula (PT), que adotou o nome do presidente na própria urna, recebeu 36,21% e enfrentará Allyson (União), que teve 36,83%. Cadu é apoiado pela federação formada por PT, PCdoB e PV e recebeu uma ligação de Lula após o resultado do primeiro turno. Allyson, por sua vez, buscou se apresentar como uma alternativa aos dois presidenciáveis.
O Tocantins é a exceção entre os estados que terão segundo turno. Professora Dorinha (União), que terminou com 45,52%, e Vicentinho Júnior (PSDB), com 43,94%, chegaram à etapa final sem declarar apoio a Lula ou Flávio. Dorinha afirmou durante a campanha que seu compromisso era com o estado e que já havia convivido com governos de diferentes orientações políticas.
Ao todo, Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins terão segundo turno para governador. A votação ocorrerá na mesma data do segundo turno presidencial, em 25 de outubro.
O resultado do primeiro turno mostra que a polarização entre Lula e Flávio não ficou restrita à disputa pelo Palácio do Planalto. Em diferentes estados, candidatos de partidos distintos se aproximaram de um dos dois grupos nacionais, transformando a escolha dos governadores também em uma disputa por espaço político para a próxima legislatura.
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