Lula disse a Nísia que precisa fazer ‘mudança de perfil’
"Ele achava importante uma mudança", disse Nísia sobre conversa com o presidente
A ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, se despediu de sua posição no governo Lula com um pronunciamento feito após uma reunião no Palácio do Planalto. Segunda ela, o presidente Lula omunicou a decisão e justificou a troca com a necessidade de uma “mudança de perfil”. A confirmação do afastamento de Nísia veio com o anúncio de que o novo responsável pela pasta seria Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais.
“A conversa com o presidente tem o tom dele me comunicar sua avaliação desse segundo momento do governo, vamos dizer assim. E que ele achava importante uma mudança de perfil à frente do Ministério da Saúde e me agradecendo pelo trabalho realizado”, declarou Nísia, em sua primeira fala pública após a decisão.
Nísia revelou que, segundo o presidente, as “dimensões técnico-políticas” do cargo desempenham papel crucial neste momento de ajustes internos no governo. “É avaliação do presidente. O que disse para ele é ele”, afirmou.
Especulações se confirmaram
A especulação sobre a demissão de Nísia já era constante, visto que o governo Lula tem se movimentado para promover uma reforma ministerial, com foco na reestruturação de áreas sensíveis como a relação com o Congresso e a recuperação da popularidade.
Essa movimentação política parece ser uma tentativa de fortalecer a base governista, alinhando os ministérios a um perfil mais político e menos técnico.
O presidente Lula tem cobrado de seus ministros uma postura mais defensiva em relação ao resultado apresentado pelos ministros, além de buscar maior aproximação com o Centrão.
Quem é Nísia Trindade
Nísia Trindade, socióloga e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi escolhida para o Ministério da Saúde como uma sinalização positiva para a comunidade científica, especialmente em um momento pós-Bolsonaro, quando o país enfrentava a pandemia de Covid-19. Sua nomeação visava também uma mudança radical de rumo, contrastando com o negacionismo científico da administração anterior.
Contudo, sua gestão à frente da pasta não foi isenta de desafios. Nísia enfrentou dificuldades em lidar com o gigantesco orçamento da saúde e com a pressão política dos parlamentares, que exigiam um maior envolvimento com suas demandas, como as emendas parlamentares.
Em fevereiro de 2024, por exemplo, um requerimento formal foi enviado à ministra por Arthur Lira, então presidente da Câmara, e outros líderes partidários, cobrando a liberação de emendas para a área da saúde. A resposta de Nísia foi de que a liberação das emendas seguiria “critérios técnicos”.
Ainda que a saída de Nísia tenha sido marcada por uma solenidade no início da semana, na qual ela foi aplaudida ao anunciar novos projetos de fabricação nacional de vacinas, o clima nos bastidores já indicava a troca.
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Comentários (1)
CARTER K ROBERTO
26.02.2025 13:39Pior ministro da história esse Padilha... só criou soluções magicas e falsas... o pai do mais médicos cubanos! Deveria ter o CRM cassado