Lula cobra Fachin após crise no STF: “Não pode atrapalhar eleição”
Presidente diz que cabe ao chefe da Corte conter a crise e afirma que caso Master não pode interferir no processo eleitoral
O presidente Lula (PT) cobrou nesta quarta-feira, 16, uma atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para conter a crise desencadeada pela sessão da Corte na terça-feira, 15. Para o petista, a troca de acusações entre ministros não pode contaminar o processo eleitoral deste ano.
“O que não dá é para a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo, a sociedade atônita ouvindo isso todo santo dia. O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, afirmou Lula em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.
A declaração ocorre um dia depois de uma sessão extraordinária do STF dedicada a uma questão de ordem relacionada às Petições 16.662 e 16.704, ambas ligadas ao caso Banco Master. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, sem que o Plenário analisasse o mérito dos fatos envolvendo Alexandre de Moraes ou André Mendonça.
Lula fala em “limpar” o STF
Na entrevista, Lula também afirmou que as investigações precisam esclarecer as suspeitas relacionadas ao caso Master e citou o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
“Acho que o que está acontecendo na Suprema Corte não é uma coisa boa, porque significa que aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo”, disse.
O presidente afirmou ainda que o conteúdo das investigações deverá esclarecer a responsabilidade de cada envolvido e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas.
“Tudo isso vai aparecer agora. É importante que apareça para a gente poder limpar este país. A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada”, declarou.
Na terça-feira, o Plenário discutiu se os casos envolvendo Moraes e Mendonça deveriam tramitar conjuntamente. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela análise separada, enquanto Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin defenderam a reunião dos processos. Dino pediu vista antes da conclusão da votação.
Eleição entra no centro da crise
A preocupação de Lula com o impacto eleitoral ocorre em meio à disputa presidencial de 2026. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 14, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 42% e Lula com 40% em um cenário de segundo turno. Os números configuram empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Flávio tem usado a crise no STF como um dos eixos de sua campanha. Após a sessão de terça-feira, o senador voltou a atacar os ministros indicados por Lula e afirmou que pretende, caso seja eleito, indicar cinco integrantes da Corte.
O caso Master também atinge diretamente o candidato. Flávio é citado em uma investigação relacionada a uma operação financeira envolvendo Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse. O senador nega irregularidades.
Lula, por sua vez, afirmou que a origem e as relações do Banco Master precisam ser investigadas e que as apurações devem alcançar todos os responsáveis, sem exceção.
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