Lula abandonou Toffoli?
Presidente teria afirmado a aliados que ninguém está blindado de investigação, incluindo ministros do STF e seu próprio filho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito a interlocutores que a manutenção do ministro Dias Toffoli como relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal se tornou “insustentável”, segundo informações do Globo. A avaliação ganhou força após a Polícia Federal apresentar ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com menções ao magistrado em mensagens localizadas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O material, que permanece sob sigilo, motivou uma reunião dos ministros do STF na tarde desta quinta-feira para analisar a situação. Toffoli, no entanto, comunicou a Fachin que não identifica razões para abandonar a relatoria do processo que investiga supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
Palácio do Planalto cobra ação do Supremo
Aliados do presidente relatam que Lula tem reiterado em conversas privadas que nenhuma autoridade escapa de apuração. “Nem ministro Supremo e nem seu filho”, teria afirmado o petista, em referência às suspeitas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apontado como possível parceiro comercial de empresário investigado pela CPI do INSS.
A comparação ilustra o entendimento no Planalto de que o próprio STF deveria tomar providências para preservar sua credibilidade institucional. A percepção entre auxiliares presidenciais é que as revelações da PF comprometeram a imagem da Corte e exigem medida rápida para conter danos.
Negócio imobiliário amplia desconforto
Na quinta-feira, Toffoli confirmou em nota ser sócio da empresa Maridt, que comercializou participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, para um fundo administrado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O ministro garantiu ter declarado os valores à Receita Federal e negou qualquer transação direta com o banqueiro ou seu parente.
A companhia de Toffoli integrou a gestão do empreendimento até fevereiro de 2025. A proximidade temporal com as investigações em curso e os vínculos comerciais indiretos com o círculo de Vorcaro intensificaram questionamentos sobre possível impedimento do magistrado para atuar no caso.
Em dezembro, ao comentar as suspeitas sobre o filho, Lula foi categórico. “Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado”, disse o presidente, em declaração que agora ressurge como referência para cobrar postura similar do Judiciário.
A crise coloca o STF diante de decisão delicada, que pode definir parâmetros sobre limites éticos e conflitos de interesse no tratamento de investigações sensíveis pela mais alta instância do Judiciário brasileiro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)